Egito: Cairo, Luxor, Vale dos Reis, Aswan, Edfu

Viajar para o Egito era um sonho acalentado por muitos anos. Visitar o berço de parte da história da humanidade, e conhecer, de perto, suas lendas, mitos, deuses. Enfim, conhecer todas as histórias, estar próximo das pirâmides, além de visitar os templos, gigantescas construções emblemáticas. O Egito é tudo isso e vai além. Povoando o imaginário de todo viajante, este belo país, de característica ímpar, não pode ficar de fora de seu roteiro de viagem. 


Cairo

No aeroporto do Cairo, uma van novinha, com ar condicionado geladíssimo (fundamental), estava a nossa espera. O percurso, até o Tropical Resort, nosso hotel, durou cerca de uma hora. Passamos por detector de metal à entrada,  procedimento normal para um país como o Egito, em todos os hotéis de luxo. Nosso quarto era enorme, incluindo banheira com hidromassagem. Já tinha ficado surpreso com o lobby e a mega piscina que atravessamos até chegar a nossa suite. Acordamos, tomamos  um ótimo café da manhã, e fomos desbravar a cidade do Cairo, começando pelas pirâmides de Gizé. Nosso guia, Hany Yosiet, já estava à nossa espera para nos levar às pirâmides de Quéops, também conhecida como a Grande Pirâmide de Gizé, e  a maior do Egito, Quéfren, a segunda maior do Egito,  Miquerinos, a menor delas, e à Grande Esfinge. Novamente entramos em uma van com ar arrepiantemente de tão gelado, e rapidamente chegamos a Gizé. 




É lugar comum dizer isso, mas é indescritível a sensação de estar diante de construções com mais de 4500 anos de história. Apesar de não ser precisa, estima-se que as pirâmides foram erguidas nos anos 2500 a.C. Mesmo estando muito calor, estar diante daqueles monumentos e imaginar como era viver ali e, qual a engenharia por trás de construções tão magníficas, nao tem preço.





Com aproximadamente 140 metros de altura, as pirâmides foram construídas  nos reinados dos faraós Quéops, Quéfren e Miquerinos. A grande Esfinge de Gizé, com todo o seu ar de mistério, é imponente e arrebatadora. Após os momentos de emoção, a realidade desponta nua e crua em nossa frente. Dezenas de camelos estão ali para serem explorados por seus malcheirosos proprietários, todos larápios. Se quiser tirar aquela histórica foto, em cima do camelo, com as pirâmides ao fundo, feche o valor antes, para não ter surpresas desagradáveis depois. Paga-se por tudo. Fomos muito bem orientados pelo nosso guia. 




A todo momento o guia nos recomendava beber somente água  mineral, de preferência com gás, certificando-se de que estivesse lacrada. O cheiro de urina também é muito forte. Mas nada consegue empanar o brilho da história estampada à nossa frente, uma das sete maravilhas do mundo. Como ficam em uma região central, o trânsito ao redor do local das pirâmides é intenso. À noite, acontece um show de luzes nas pirâmides. Com uma sequência de imagens espetaculares, o show de luzes conta a história da construção das pirâmides de Gizé e da Esfinge, recomendo.





Se estiver com um guia, como nós, depois de Gizé ele vai fazer de tudo para levá-lo aos fabricantes de perfume, tapetes e pergaminhos, é armadilha, fuja. Os pergaminhos até que são interessantes, mas o restante não tem nada que interesse. A não ser a fabricação dos tapetes persas, esses valem a pena visitar as fábricas, são tecidos manualmente, a mesma técnica milenar.







Muitos ambulantes irão tentar vender de tudo, não pague nada sem antes ter o produto em mãos e, de preferência, tenha o dinheiro trocado. Os guardas uniformizados são muito atenciosos, mas estão ali somente para orientar os turistas, não interferem no grande comércio improvisado local.


MUSEU DO CAIRO


Museu Histórico do Cairo

Depois de uma tresloucada volta, a uma velocidade inimaginável, chegamos ao Museu do Cairo.  Um grande prédio rosado, aberto ao público em 1858, o Museu do Cairo é o mais importante do Egito. Guarda cerca de 140 mil objetos, encontrados em inúmeras escavações exploradas até os dias de hoje. O maior tesouro, sem dúvida,  é o encontrado na tumba do faraó Tutankamon.


Câmara mortuária em madeira

joias encontradas na tumba de Tutankamon


Sarcófago e múmia de Tutankamon

Tutankamon, também conhecido como o "Faraó Menino", nasceu em 1346 a.C e morreu, aos 19 anos de idade, em 1327 a.C. Foi faraó do Egito Antigo entre os anos de 1336 e 1327 a.C. Era filho do faraó Akhenaton. 


Tutankamon, Máscara mortuária em ouro

Trono de Tutankamon

Ainda existem muitas dúvidas sobre a vida de Tutankamon. Foi o último faraó da 18ª dinastia. Durante seu curto período de governo, levou a capital do Egito para Memphis e retomou o politeísmo(crença religiosa, onde é permitido a adoração de mais de um deus), que havia sido abandonado pelo pai Akhenaton.


Sabe-se que morreu de forma traumática, ainda na adolescência. Alguns pesquisadores acreditam que ele tenha sido vítima de uma conspiração e, possivelmente, tenha sido assassinado com um golpe na cabeça, pois o crânio da múmia do faraó apresenta uma perfuração.

A importância atribuída a este faraó está relacionada ao fato de sua tumba, situada no Vale dos Reis, ter sido achada  intacta. Nela, o arqueólogo inglês Howard Carter, em 1922, encontrou uma grande quantidade de tesouros. Além do corpo mumificado, dentro de um sarcófago, coberto com uma máscara mortuária em ouro, estavam o caixão, também em ouro maciço.


Sarcófago, em ouro, de Tutankamon

Na tumba de Tutankamon foram encontradas mais de cinco mil peças. Entre os objetos estavam joias, ornamentos, vasos, esculturas e armas.





Algumas curiosidades sobre Tutankamon, diz a lenda que durante as escavações de sua tumba, alguns trabalhadores da equipe morreram de forma misteriosa. Em uma das paredes da pirâmide foi encontrada uma inscrição que dizia que "morreria aquele que perturbasse o sono eterno do faró". Apavorados, os trabalhadores acharam que se tratava de uma maldição, desmentida, mais tarde, pela versão oficial das mortes; algumas pessoas haviam respirado fungos mortais,  concentrados dentro da pirâmide. Após visitarmos os tesouros de Tutankamon, tudo fica menor. Mas impressiona a sala climatizada, onde estão as múmias dos principais faraós do Egito, incluindo a de Ramsés II,conhecido como O Grande.




Continuando a viagem, após sairmos do museu, maravilhados, fomos ao contagiante mercado Khan El Khalili.  Compra-se de jóias, espetaculares, a apenas uma simples sapatilha, bordada com lantejoulas e missangas, Após comprar algumas lembranças, paramos para tomar uma limonada típica, muito gelada, ao lado da mesquita, onde só entram homens. Muitos a usam apenas para tirar uma soneca, enquanto outros dedicam toda sua fé dirigindo seus cânticos à meca.



Khan El Kalili






No dia seguinte, hora de ir para a estação de trem, com destino a Luxor. Parecia um filme de terror, mas faz parte da cultura egípicia. As mulheres de burca com gaiolas, levando  galinhas vivas, homens segurando bodes, e toda sorte de estranhos artefatos.  A estação caindo aos pedaços, banheiro nojento. Fiquei muito inquieto com aquela situação. O guia dizia-me:"o de vocês é trem turístico". Haviam mais seis pessoas no grupo deste novo guia, também de nome Mohamed. Após uma hora de espera, finalmente o trem chegou. Oito horas depois, chegamos a estação de Luxor. Fomos para  um hotel, na espera da van, que nos levaria para o Vale dos Reis. A excitação era muito grande. O Vale dos Reis era um dos locais mais importantes a serem visitados.









Escadarias íngremes levam para o interior das tumbas. Não aconselhável para quem sofre de claustrofobia. Mas quem consegue passar pelos atropelos para chegar até ali, será recompesado com salas inteiras adornadas com hieroglifos, que contam a história de quem foi ali sepultado. As principais  tumbas são, Tutmósis III, Ramsés VI, Ramsés, IX é a de Tuntakamon, lembrando que tudo que foi achado ali encontra-se no Museu do Cairo, a visita é somente para conhecer o local exato da tumba.


Vale dos Reis 







Tumba de Tutankamon, Vale dos Reis

O Egito é conhecido por ser grande produtor da pedra alabastro. Entre um templo e outro,  tivemos a oportunidade de visitar uma dessas regiões produtoras, e presenciar o trabalho dos artesãos, esculpindo várias peças, que acabam na bagagem dos turistas que visitam o local. Claro que eu trouxe o meu exemplar.







Templo de Hatshepsut.

O templo de Hatshepsut, também conhecido como Templo de Deir el-Bahari, é dedicado a Hatshepsut, a única mulher que reinou no Egito durante um longo período. Foi construído entre os anos sétimo e vigésimo primeiro de seu reinado, antes de Cristo. Tem uma parte escavada na rocha e outra no exterior, formada por três terraços.







O templo conserva apenas vestígios de Hatshepsut, já que tudo que fazia referência a ela foi destruído após sua morte, por seu irmão, Tutmosis III. Os primeiros cristãos converteram o templo em um mosteiro, o que provocou danos significativos nas instalações. No entanto, o templo conseguiu manter o seu esplendor até os dias atuais. A visita ao templo de Hatshepsut é bastante rápida e vale a pena visitá-lo, sua construção é totalmente diferente do restante.


Rio Nilo

Está parte da viagem, ao Egito, está no imaginário de todo viajante que deseja conhecer o país. Um cruzeiro pelo rio Nilo, que foi imortalizado em vários filmes,  como "Morte Sobre o Nilo", que ganhou nova versão em 2022, pelas mãos competentes do diretor, e ator, Keneth Branagh,  refilmagem de um clássico de 1978, baseado no famoso romance de Agatha Christie, estrelado por Peter Ustinov. Um cruzeiro pelo rio Nilo era uma dos momentos mais desejados desta viagem. Embarcamos na cidade de Luxor, com direção a cidade de Aswan, com algumas paradas, em ruínas da antiga cidade de Tebas, capital dos farós, no auge de seu poder, entre os séculos 16 e 11 antes de Cristo. 

Templo de Luxor


Luxor

O Templo de Luxor é majestoso, grandioso, foi construído entre os anos de 1400 e 1000 antes de Cristo, pelos faraós Amenhotep III, que orquestrou a construção interna, e Ramsés II, que adicionou ao projeto as colossais colunas e obeliscos. São 260 metros de largura, totalmente dedicados a Amon, deus do vento.








A distância entre os Templos de Luxor e de Karnak é de apenas três kms. Neste percurso havia um impressionante caminho de esfinges, ligando um templo ao outro. A ação do tempo, destruiu parte delas, somente no início de cada templo é possível vislumbrar a grandiosidade do que foi no passado.

Templo de Karnak




Karnak

Situado no coração do Egito, o Templo de Karnak, foi o maior complexo de adoração dos deuses, enquanto o poder estava concentrado em Tebas(atual Luxor), é considerado o maior templo já construído em todo o mundo. Foram vários os faraós que o complementaram, Hatshepsut, Tuthmose III, Seti I e Ramés II. Karnak é dividido em 3 complexos: o recinto de  Amon-Rá, o recinto de Mut e o recinto de Montu. Para a maioria dos visitantes, o maior deles, o Amon-Rá, é suficiente para ser visitado, por sua arquitetura única, supera todos os outros lugares que você visitará no Egito. O recinto de Amon contém as mais famosas áreas do complexo de Karnak, incluindo o  Salão Hipostilo, composto por 134 colunas maciças, e é um dos lugares mais impressionantes de todo o Egito. 

Templo de Karnak, salão Amon






Após essas maravilhas, seguimos para mais um trecho da viagem pelo rio Nilo.

Rio Nilo






Edfu

Após mais algumas horas navegando pelo Nilo, chegamos a cidade de Edfu. Estabelecida ao largo de um vale próximo ao Rio Nilo,  longe o suficiente para ficar distante de inundações e perto o suficiente para não ficar isolada no deserto. O templo ptolomaico ocupava uma área maior do qual ocupa hoje,  estendendo-se para leste e para o sul, por baixo da cidade moderna existente.












Os restos do antigo povoado de Edfu estão situados  cerca de 50 metros, a oeste do templo ptolomaico. 
Embora modesto, e sem glamour aos turistas que o visitam, em Edfu está parte da história egípcia, como os restos da colonização que mostram como se deu o desenvolvimento na região, uma cidade provinciana, do final do Império antigo até o período bizantino. A parte mais antiga da cidade, que  data do final do antigo Império, encontra-se na parte oriental, não muito longe do templo ptolomaico. Há evidências de que a cidade floresceu durante o primeiro período intermediário, quando se expandiu amplamente para o oeste. Curiosamente, é um dos poucos assentamentos no sul do Egito que prosperou, enquanto o norte, especialmente em torno do delta, estava em declínio econômico. Hoje, o antigo monte de  Edfu é preservado,  e contém ocupações que datam do Império antigo, até o período greco-romano, são mais de 3000 anos de história. O comércio local é bem rústico, mas guarda a essência do povo egípicio, com seus insistentes vendedores, que agarram os braços dos turistas até que estes comprem algum dos souvenirs à venda.











ASWAN






De volta ao navio, e  após navegar por mais algumas horas, chegamos a Aswan, cidade privilegiada por sua posição geográfica. Localizada ao sul do Egito, onde há tráfego intenso de mercadorias pelo Nilo, era considerada a “porta de entrada” para a África. Na verdade,  Aswan é o nome da antiga cidade de Swenett, que , assim como Edfu, também tem seu início registrado a três mil anos antes de Cristo. Aswan fazia parte do território núbio. Há dois templos principais a serem visitados: Com Ombo e Philae (também conhecido como Templo de Ísis). Os templos estão em parte submersos, localizados na Ilha de Aglika, só podem ser visitados por barco. O nosso barqueiro, para nossa sorte, era de origem Núbia, e pudemos compartilhar momentos com um descendente direto da história do Egito. Este belo complexo de templos é um dos mais belos de todo o Egito. Já o Templo de Philae é conhecido como sendo o local onde o Deus Osíris foi enterrado. Diz a lenda que Osíris foi assassinado por seu irmão Set, que lhe usurpou o trono. Entretanto, a esposa de Osíris, Ísis reconstituiu o corpo do seu marido permitindo, deste modo, a concepção póstuma de um filho. O resto da história concentra-se em Hórus o resultado da união entre Ísis e Osíris que, de início, é uma criança vulnerável e protegida por sua mãe e, posteriormente, torna-se rival de Set na pretensão ao trono.





Templo de Com Ombo




Barragem de Aswan


Templo de Philae(Deusa Isis)





A Núbia era parte de um império que compreendia do sul do Egito até Khartum, no Sudão. Um corredor de comércio que ligava o Egito ao restante da África, por onde circulavam mercadorias como pedras e metais preciosos, peles de animais, incensos e marfim. O fim da Núbia se deu quando consolidou-se a República do Egito, em 1953. Nessa época, o que era considerado território núbio foi dividido entre o Egito e o Sudão. A consolidação de Aswan tal como é hoje se deu em sua maior parte a partir de 1902, quando a Barragem de Aswan foi construída e foi parte importante para o desenvolvimento da região. Em 1971, a construção da Alta Represa,  fez com que Aswan se sobressaísse ainda mais na geração de energia, além do seu potencial para o ramo turístico. A história do povo núbio é tão impressionante que é comum encontrar relatos que dizem que eles são o povo negro mais antigo da África e uma das civilizações mais antigas do mundo, com origens até mesmo pré-históricas. A tradição também é marca dos núbios que tinham uma cultura própria, assim como a escrita e o idioma. Povo marcado pela escravidão na era antiga, onde, geralmente, aparecem como escravos servindo aos seus senhores.


Nosso barqueiro, representante do povo Núbio




À noite, foi a vez de celebrar esta maravilhosa de viagem, com um jantar típico, com danças egípicias, no melhor estilo africano. Inesquecível.









Prepare-seQuando decidimos viajar para o Egito achei os pacotes aqui no Brasil muito caros. Pelo número de pontos turísticos a serem visitados, e pela distância entre as cidades, é aconselhável viajar em um pacote turístico. Como incluímos também a Grécia, roteiro de outro post,  pesquisei um agência de viagens por lá. E encontrei: Grécia Turismo, onde fui atendido pela Artemis, uma pessoa gentil que, por ter residido no Brasil, falava português fluente, e conseguiu um pacote inacreditável, comparado aos comercializados no Brasil. Incluindo o trecho aéreo, Athenas/Cairo/Athenas, pela Aegean Airlines, visto para entrada no país, traslado do aeroporto para o hotel, duas noites de hotel no maravilhoso Tropical Resort, city tour na cidade do Cairo, passagens de trem, do Cairo para Luxor,  em cabines exclusivas, e todos os tickets dos templos incluídos. E ainda a deliciosa viagem pelo Rio Nilo, entre as  cidades de Luxor e Aswan, em uma embarcação, que não chega a ser um navio, mas é muito confortável, além de todas as refeições por 5 dias de navegação, pelos lugares mais incríveis do Egito. Não Incluímos Alexandria, por ficar no lado oposto ao que iriamos. Precisaríamos de mais dias, que não tínhamos. Recomendo que a viagem seja feita por uma agência de turismo. É um país complicado para viagens solo, sem um guia especializado. Meu roteiro foi excepcional, confortável e seguro. Isso lhe permitirá usufruir das maravilhas do Egito sem se preocupar com segurança, alimentação, ou se estará entrando em alguma roubada. Pesquise o melhor  pacote dentro de seu orçamento e aproveite. 



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