Itália, Nápoles, Museu Arqueológico, Museu Capodimonte

Chegamos a Nápoles, de Roma, após 1h10 em um trem da Ítalo, de alta velocidade, 32 euros o bilhete.Se comprar com antecedência, o valor será mais baixo, no site da Ítalo, https://www.italotreno.it/en

Usamos o metrô, e rapidíssimo já estávamos em meio a Via Toledo, lotada de turistas de todas as partes do mundo, e de napolitanos, claro. Aliás, a própria estação de metrô da Via Toledo já é uma atração.

Se em Roma, os italianos falam alto e gesticulam muito, em Nápoles isto é em dobro. Uma simples conversa parece uma intensa briga. Foi em Nápoles que nasceu a pizza,  então “mangiare una pizza tradizionale” foi a primeira coisa que fizemos. E é boa de verdade. Tanto que comemos outra no dia seguinte, e no dia seguinte, somados aos irresistíveis doces tradicionais italianos, como os fantásticos Cannólis, a festa gastronômica estava completa, mas Deus nos livre da balança 😩 Mas pizza com batata frita, como recheio, só vi aqui. Mas não se vive só de pizza.  

O salame, o presunto “crudo” a pancieta, os parmesões e todos os embutidos, não se faz iguais aos da Itália. São tantos os tipos destas deliciosas Iguarias, que é possível  experimentar diariamente, sem repetir nenhum tipo, e em Nápoles tem outro sabor.

Deliciar-se também com as feiras de rua, com os vendedores mostrando que tem gogó e tudo o que se pode querer em uma feira livre. Mas há  que se deliciar também  com as ruelas à napolitana, com seus varais de roupas, que contrastam com fontes exuberantes e prédios magníficos espalhados pela cidade. 








Os museus são um capítulo à parte. O Museu de Arqueologia, considerado um dos mais importantes do mundo, é impressionante. O museu nasce graças ao interesse da família Bourbon pela arte e cultura. Dois membros da família, em particular, Carlos III, rei de Nápoles desde 1734, iniciou as explorações do território destruído pela erupção do Vesúvio em 79 d.C., graças a essa atitude as cidades de Herculano e Pompeia foram encontradas. Além disso, ele trouxe para Nápoles uma rica coleção de achados arqueológicos romanos, vindos da cidade do Lazio à Nápoles, herdados de sua mãe, Isabel Farnésio. No entanto, foi seu filho, Fernando IV, que reuniu a parte romana da coleção Farnese, e os achados do Vesúvio, em um único edifício, o Palazzo degli Studi.



Cópia de um corpo petrificado pela lava do Vesúvio, 79 d.C.

Algumas, das inúmeras, pinturas salvas em Pompeia



A arte dos mosaicos








Além de toda a coleção de painéis, mosaicos, pinturas, esculturas, encontradas nas escavações  das ruínas da cidade de Pompéia, o museu tem uma importante coleção egípicia, a mais antiga da Europa e a segunda maior da Itália, atrás apenas da coleção de Turim. São sarcófagos, múmias, epígrafes, estátuas, esculturas, jóias e toda sorte de objetos que adornavam as tumbas reais egípicias. É para se perder por horas neste paraíso arqueológico. 







No Museu Arqueológico, o visitante, além de poder admirar mosaicos, afrescos e estátuas provenientes de Herculano e Pompeia, pequenas maravilhas que sobreviveram à força destrutiva do Vesúvio, como também muitos achados das ruínas da Roma Antiga, como alguns grupos de esculturas das Termas de Caracala.











No museu, o espaço batizado de "Gabinete Secreto", é onde estão em exibição os achados, de natureza puramente sexual e erótica,  nas escavações de Pompeia e Herculano. Foi a família Bourbon que batizou à sala e regulamentou as visitas, permitindo a entrada apenas a adultos, com a definição de  “Gabinete de objetos "confidenciais/obscenos/pornográficos”, para enfatizar a sua ausência de escrúpulos.


Vale a pena visitar o site do museu e ler sobre todas as peça históricas ali expostas, além dos horários e tarifas para visitação.

https://mann-napoli.it/ 

Nápoles  tem uma orla  imponente, cheia de navios de passageiros, que deslizam pelo mar Tirreno, ruas amplas e jardins aconchegantes. 


E depois de “mangiare” mais uma pizza, é a vez de subir até a parte mais alta da cidade e conhecer o espetacular Museu Real Capodimonte, criado pelo então rei de Nápoles Carlos Bourbon, também responsável pela criação das famosas porcelanas Capodimonte. A área do museu é cercada por um gigantesco jardim. Além das pinturas dos mestres italianos, entre eles, Botticelli e Caravaggio, impressiona a ala dedicada a armaduras, armas medievais e todos os tipos de acessórios de guerra medievais. Um parque de diversões para quem ama arte. 


Porcelanas Capodimonte.


Flagelação de Cristo, pintura de Caravaggio







https://www.tudosobrenapoles.com/museu-nacional-capodimonte

Depois de nos deliciarmos com tanta arte, fomos caminhar pelas ruas do centro histórico, onde está a Duomo de Nápoles, com toda a história de San Gennaro. Oficialmente batizada como Catedral de Santa Maria Assunta,  os napolitanos, e o resto do mundo, a chamam de Catedral de San Gennaro, ou  “Duomo di San Gennaro”, que deve estar em seu plano de viagem, começando em um passeio pela parte histórica de Nápoles, onde está a Duomo, imperdível.







San Gennaro foi um mártir cristão, decapitado por volta do ano 300, na última fase da perseguição de Diocleciano. É o padroeiro de Nápoles, é lá onde estão as ampolas com o sangue de San Gennaro, quando acontece o milagre da liquefação de seu sangue. 






Diz a lenda que, pouco tempo depois de sua morte, o sangue de San Gennaro teria sido coletado por uma mulher de nome Eusébia e colocado em ampolas, que foram encontradas próximo ao seu corpo. Ao longo dos séculos, o sangue solidificou-se, transformando-se em partículas, alusivas a pequenos pedaços de pedras. No entanto, desde o século XIV, testemunhas atestam que essas partículas sólidas transformam-se em sangue líquido, em dias santos especiais. Seria um sinal de bênção e proteção para os napolitanos. Nas manhãs do dia 19 de setembro, data de morte de San Gennaro, milhares de pessoas lotam a Catedral de Nápoles, e a Piazza del Duomo, a praça em frente a ela, esperando ver o sangue do santo se liquefazer. Acontecimento conhecido como o “milagre de San Gennaro”. 

Em uma cerimônia religiosa solene, o cardeal retira as taças da capela com as ampolas, contendo o sangue,  e as leva em procissão, junto com o busto de San Gennaro. Acredita-se que seja um mau presságio se a liquefação não acontecer. Se o sangue se liquefaz, os sinos da igreja tocam, e o cardeal leva o sangue liquefeito pela catedral até a praça para que todos possam vê-lo. Na maior parte das vezes, conta a história, o sangue se liquefaz. Depois disso,  o relicário é devolvido ao altar, onde os frascos ficam em exibição por oito dias. Demos Sorte e presenciamos parte desta cerimônia, com a presença do bispo emérito de Nápoles, coral e concerto de órgao, absolutamente lindo.


Ainda, em outras duas datas acontece o “milagre” da liquefação do sangue. Uma delas é o sábado que antecipa o primeiro domingo de Maio (data da primeira trasladação do corpo do santo). A outra é o dia 16 de Dezembro. Neste dia de 1631, San Gennaro teria salvo Nápoles de uma violenta erupção do Vesúvio. San Gennaro nasceu Januário, em Benevento, e pertencia a uma rica família aristocrata. Com apenas 15 anos, ele tornou-se padre de sua paróquia em Benevento. Aos 20 anos, tornou-se bispo de Nápoles. Nesta época, era amigo de Juliana de Nicomédia e São Sossius, que ele conheceu durante seus estudos sacerdotais. Durante a perseguição dos cristãos, pelo imperador Diocleciano, Januário escondeu seus irmãos e irmãs cristãos, impedindo-os de serem capturados. Enquanto Januário estava visitando Sossius na prisão, os perseguidores o encontraram e o prenderam. Ele e seus fiéis foram condenados a serem lançados entre os ursos selvagens, no Anfiteatro Flaviano de Pozzuoli. Mas acabaram por modificar a sentença, por medo de desordem pública, e optaram pela  decapitação. San Gennaro foi decapitado na cratera do vulcão Solfatara. Outras lendas declaram que os animais selvagens se recusaram a comer o santo, enquanto em outras versões, diz-se que ele foi jogado em uma fornalha, mas saiu ileso. Seus restos mortais, assim como outros itens do santo estão em ala fechada da basílica, que pode ser visitada ao custo de 4 euros.


Sepúlcro de San Gennaro

Restos Mortais de San Gennaro

Confesso que não conhecia a história de San Gennaro, fiquei bastante supreso e comovido. Após essa aula de história, fomos conhecer as ruelas onde se pratica a arte de "presepiar". Isso mesmo, em Nápoles não é um acontecimento apenas natalino. A arte dos presépios está presente principalmente na rua San Gregorio Armeno, concentração de artesãos que se dedicam a confeccionar presépios e personagens em miniaturas, para adorná-los, que impressionam pela perfeição. 









A tradição de representar a Natividade, através dos presépios, começou a difundir-se em Nápoles a partir de 1700, além de San Gregorio Armeno, e do Museo Nazionale di San Martino, a arte de presepiar pode ser encontrada e em outros lugares da região da Campânia, como a Reggia di Caserta. Em algumas históricas lojas-laboratórios, como aquela da família Ferrigno, inaugurada em 1836, ou a dos Fratelli Capuano, ainda é possível assistir a criação de uma peça do presépio. Tudo rigorosamente feito à mão pelos hábeis artesãos.


Prepare-seA cidade de Nápoles é uma festa. Há muito o que ver, e fazer, além da pizza (que é maravilhosa). Então programe, pelo menos, quatro  dias, para poder desfrutar de uma das cidades mais típicas da Itália, que guarda um dos maiores e mais completos museus do Mundo, o Museu de Arqueologia. A cidade é muito bem servida de transporte público. O metrô tem estações belíssimas, além de serem muito limpas. 

Estação Toledo, metrô de Nápoles

Mas o melhor é caminhar, caminhar muito, e deixar-se levar pelo clima despojado e característico de Nápoles, coma muita pizza, tome muitos sorvetes, experimente o mais típico deles, a stracciatella, casquinha crocante, recheada de chocolate e finalizada com o sabor de sorvete de sua preferência, o meu foi de pistache. 

Stracciatella, sorvete típico de Nápoles.

Os lugares históricos são de fácil acesso com os transportes públicos. Há passes diários de metrô, a 7 euros, que vale a pena se você pretende deslocar-se entre as várias atrações da cidade. Aproveite tudo que Nápoles tem a oferecer












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