Brasil: Rio de Janeiro, Confeitaria Colombo, Palácio do Catete, Búzios



O Rio de Janeiro, além da indiscutível beleza de suas praias e da privilegiada geografia natural,  tem muito mais a oferecer aos turistas de primeira, ou de muitas, viagens. O Estado, que já foi a capital federal do país, guarda, em seus prédios históricos, de beleza ímpar, muitas histórias dos séculos passados. Um destes endereços, o meu favorito, e parada obrigatória, todas as vezes que vou à cidade, é a maravilhosa Confeitaria Colombo. 



Há mais de 100 anos, fazendo a alegria de quem passa por suas mesas, a Confeitaria Colombo é Patrimônio Histórico e Cultural do Rio de Janeiro. Fundada em 1894 pelos imigrantes portugueses Joaquim Borges de Meireles e Manuel José Lebrão, localizada na região central da cidade, próximo a Cinelândia, é considerada um dos lugares mais bonitos do mundo, por publicações especializadas internacionais. A arquitetura, um dos seus grandes atrativos, traz o traço à Belle Époque, com toques de Art Nouveau.  Entre as preciosidades, espelhos de cristal, que foram trazidos da Antuérpia, na Bélgica,  emoldurados por, elegantes molduras entalhadas em Jacarandá, madeira nobre e hoje protegida de exploração comercial. No mezzanino, o restaurante Cristóvão, em homenagem ao navegador Cristóvão Colombo, há um completo serviço de buffet, com toda a variedade do cardápio, incluindo os doces e as sobremesas. Ótima opção, para quem quer conhecer um pouco mais da gastronomia da casa. Entre uma centena de personalidades e autoridades, passaram por aqui a musicista e compositora Chiquinha Gonzaga o maestro e, também compositor, Heitor Villa Lobos, autoridades como Alberto I, Rei da Bélgica, e a Rainha da Inglaterra, Elizabeth II. 

Mezzanino, serviço de buffet irretocável

A bela arquitetura Belle Époque

No centro também está a Igreja de Nossa Senhora da Candelária, cenário de muitos casamentos da sociedade carioca, e também de muitas manifestações populares. Em estilo néo-clássico e rococó, finalizada em 1877,  sua história tem capítulos ao longo dos séculos. O primeiro deles tem início em 1609, quando o casal  português Antônio Martins Palma e Leonor Gonçalves, enquanto navegavam pelo mar do Rio de Janeiro, enfrentaram uma terrível tempestade. Desesperados, prometeram a N.Sra da Candelária, que se salvassem, eles ergueriam uma igreja em sua homenagem. E assim o fizeram. Mandaram construir uma capela. O segundo capítulo acontece mais de 100 anos depois, em 1710, quando a capela sofre a primeira reforma. Mas ainda era uma igreja modesta, para os padrões  portugueses. Terceiro capítulo, foi  em 1775, quando o sargento-mor, e engenheiro, Francisco João Roscio,  desenhou o que viria a ser a Igreja N.Sra da Candelária que conhecemos hoje. A construção, ainda inacabada, teve sua inauguração em 1811, com a presença de D.João VI,  príncipe-regente e futuro Rei de Portugal. Um dos destaques, a nave em estilo rococó, esculpida pelo grande mestre Valentim. 



Na Cinelândia, também está o majestoso Teatro Municipal da cidade. Cenário de espetáculos inesquecíveis, é local de encontros de personalidades do mundo das artes, desde 1909. Na lista, dos inúmeros artistas que aqui se apresentaram,  figuram nomes como os das sopranos Maria Callas, Renata Tebaldi e Bidu Sayão, do maestro italiano Arturo Toscanini, da atriz francesa Sarah Bernhardt, do compositor e pianista russo Igor Stravinsky e do compositor e maestro brasileiro  Heitor Villa Lobos. Eu sou admirador da arquitetura clássica. Acho o Teatro Municipal do Rio de Janeiro uma das construções  mais incríveis do mundo. 



Outra presença, de extrema importância, foi a do então presidente norte-americano, Barack Obama. Ele veio ao Brasil, em 2011, e, do palco do Municipal, discursou para uma seleta plateia. Informações sobre  espetáculos pelo site theatromunicipal.org.br

Detalhe da Sofisticada decoração 

O Palácio do Catete, é um dos prédios históricos mais icônicos da cidade. Foi sede da Presidência da República até 1960. Abrigou vários presidentes do Brasil, e foi onde, um deles, o Presidente Getúlio Vargas, tirou a própria vida. Hoje, o Museu da República ostenta um acervo de encher os olhos. Situado no bairro do Catete, zona sul do Rio de Janeiro, sua criação foi em 8 de março de 1960,  pelo Presidente Juscelino Kubistchek, quando transferiu a Capital Federal à, recém construída,  Brasília.

Museu da República




Construído entre os anos de  1858 e 1867, pelo fazendeiro cafeicultor, Antônio Clemente Pinto, Barão de Nova Friburgo, o palacete trocou de mãos algumas vezes,  até ser comprado pelo Governo Federal, em Abril de 1896, para sediar a Presidência da República. O primeiro a ocupá-lo foi o Presidente Prudente de Morais. No segundo andar, o salão dos banquetes, ostenta o, impecável, serviço de festas. Dos itens expostos, a louçaria chama, em especial, a atenção, a porcelana inglesa e os  cristais, com o brasão da Presidência da República. Muito  sofisticados e elegantes.

O Refinado Serviço de Banquete

O Palácio do Catete deveria estar em todo roteiro de viagem, de quem vai ao Rio de Janeiro, além de ser um dos marcos da história recente do país, parte dele está muito bem preservado. 

Salão de reuniões



O gabinete presidencial foi mantido intacto. A mesa, onde os presidentes despachavam, de refinada entalhe em Jacarandá, é um ítem a ser explorado minuciosamente. Assim como os seus objetos, como o tinteiro de prata.


Mesa e demais itens da Presidência da República

 As pinturas artísticas, e os vitrais são um espetáculo à parte.



Foi no Palácio do Catete que o Presidente da República Getúlio Vargas, em pleno exercício da função,  suicidou-se, no dia 24 de Agosto de 1954, aos 72 anos. O motivo exato, para o fatídico tiro no peito, teria sido a sua eminente queda do poder, pelas novas forças políticas que se avizinhavam. No museu, a arma do suicídio está em exposição. Infelizmente, não consegui entrar no aposento presidencial. Estava fechado, já havia meses, por infiltração de água, que até o momento da minha visita, não havia sido solucionado. Total absurdo. 


Multidão para o Velório de Getúlio

Revólver do suicídio de Getúlio Vargas, em exposição no Palácio do Catete

Aposento Presidencial, onde Getúlio Vargas Cometeu Suicídio

O arremate à visita ao Catete fica por conta do imenso jardim, com esculturas em bronze,  importadas da França, assinadas por artistas renomados da fundição Val D´Osne, compondo um dos lugares mais aprazíveis do Rio de Janeiro.
Outras informações sobre o Museu da República, e horários de visitação, veja o site: museudarepublica.museus.gov.br

Jardins Palácio do Catete

Após este passeio, magistral, pelo Centro do Rio, e pelo Catete, um gostoso programa pode ser um chá, uma cerveja, um café, enfim, o que desejar, no Parque Lage, no Jardim Botânico. 


Localizado aos pés do Corcovado, em uma área de 93 mil metros quadrados, todo o parque é tombado pelo IPHAN (Instituto   Do Patrimônio Histórico, Artístico e Nacional) desde 1957. O conjunto arquitetônico tem uma história intrínseca com as artes. Na década de 1920, o  proprietário do palacete, Henrique Lage, apaixonou-se, perdidamente, pela contralto italiana Gabriellla Besanzoni, considerada uma das maiores cantoras líricas de seu tempo. Eles se casaram, e ela logo transformou a belíssima propriedade em um centro de artes. Virou a efervescência cultural do Rio de Janeiro. Os sobrinhos netos de Gabriella, os escritores Marina e Arduíno Colassanti, chegaram a morar na mansão.
no site www.rioecultura.com.br todas informações sobre atrções e visitação.



Para finalizar o dia,  reserve um tempo para ir ao Jardim Botânico, é só seguir na mesma calçada do Parque Lage, e logo estará à sua entrada. De dimensões gigantescas, o Jardim Botânico oferece uma experiência entre plantas raras e árvores ornamentais. Impressiona o corredor de Palmeira Imperiais,  à  sua entrada. Na verdade, o Jardim Botânico, funciona como um Centro Nacional de Preservação da Flora, responsável por avaliar e categorizar as espécies em extinção no Brasil.  Se o assunto o interessou, o site oficial jbrj.gov.br traz muitas informações sobre o tema.




Depois  de passear pela história do Rio de Janeiro, eu reservei alguns dias para ir a Búzios, a 176 kms do Rio de Janeiro. Armação de Búzios é uma estância, na região dos Lagos, com praias aprazíveis, e um sofisticado centro de compras e restaurantes estrelados. 
Há muitas opções de hospedagem, como prefiro lugares sielnciosos e calmos, reservei uma pousada fora do agitado centrinho de Búzios, de onde era possível fazer alguns passeios sem precisar de carro.

Pousada Bucaneiro, Búzios

A praia da Ferradura é uma das minhas preferidas. Com ótima infraestrutura, oferece mar de águas mornas, calmo e cristalino. Mas há opções para todos os tipos de público, como a praia de Geribá,  com ondas mais agitadas, uma boa opção para os praticantes do surf. Seja qual for sua praia, o melhor é estar em Búzios.



Depois de um dia de praia, a recomendação é ir ao centro, à rua das Pedras, onde se concentram um grande número de lojas e restaurantes. Uma boa opção é ir a orla central, no calçadão do cais. Ali está a  escultura de Brigitte Bardot, criada pela artista brasileira, Cristina Motta, em homenagem a atriz francesa. Ela esteve em Búzios, na década de 1960, e se transformou em sua principal voz de divulgação. Escolha um dos muitos restaurantes, e espere para ver o maravilhoso pôr do sol.



Escultura de Brigitte Bardot


Voltei para o RIo, e fui direto conhecer o Museu do Amanhã. Parte da revitalização da região portuária do Rio de Janeiro, a obra do renomado arquiteto espanhol Santiago  Calatrava, destaca-se na paisagem da cidade.





Totalmente interativo, o museu propõe um estudo de como podemos "ajudar" a melhorar o futuro, amenizando os prejuízos causados pela ação do homem. "Oferecendo uma narrativa de como podemos viver e moldar os próximos 50 anos, seguindo os valores éticos da de sustentabilidade e da convivência, essenciais para nossa civilização", assim o museu  defini suas metas, em seu site museudoamanha.org.br




O Museu do Amanhã faz parte do processo de revitalização área portuária. O projeto Porto Maravilha, trouxe  cara nova para a região da Praça Mauá, que estava deteriorada. A finalização total do projeto está prevista para 2026. Mesmo sem estar terminada, a região já é um importante polo turístico, e cultural, da cidade do Rio de Janeiro, oferecendo entretenimento e turismo de qualidade. É um grande exemplo de como o dinheiro público, quando bem investido, retorna em benefícios para todos ao seu redor.


Prepare-se: O Rio de Janeiro é uma cidade para, pelo
menos, uma semana de estadia. aproveitar as praias, a intensa vida cultural, os passeios, fazer compras, enfim, é um dos Estados mais importantes do país. Não incluí neste post os roteiros tradicionais, como o passeio de bondinho e ir ao Cristo Redentor, mas são lugares fundamentais, para quem está viajando para a cidade pela primeira vez. A forma mais legal de ir ao Cristo é pelo Trem do Corcovado, no site www.tremdocorcovado.rio é prático e fácil comprar seu ingresso com horário marcado, evitando as longas, e demoradas,  filas que se formam na bilheteria. Para o bondinho do Pão de Açúcar, a dica é também comprar pelo site bondinho.com.br, planejamento é a alma de uma boa viagem.
Para se locomover pelo Rio, prefira os serviços de aplicativos ou o excelente serviço de metrô da cidade. A estação Catete,  por exemplo, está a 5 minutos do Museu da República. Hospede-se em um hotel entre as praias que deseja frequentar durante sua estadia na cidade. Minha dica é ficar entre Ipanema e Copacabana, além de ser um área muito gostosa, fica próximo a tudo de interessante na zona sul da cidade. Hospedei-me no ótimo South American Copacabana Hotel, bem na divisa entre dois principais bairros, e bem pertinho do Leblon  southamericanhotel.com.br,  reservei pela hoteis.com.



próximo post, Pernambuco, Porto de Galinhas

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