Brasil: Pernambuco, Porto de Galinhas, Recife, Olinda


O Brasil tem cenários paradisíacos, e muitos deles estão no Estado de Pernambuco, que proporcionou-me surpreendentes descobertas. 
Cheguei ao Aeroporto Internacional do Recife, ou, Guararapes, e fui direto encontrar o motorista, previamente contratado, para me levar a Porto de Galinhas. Ele estava, impecávelmente, no horário, à saída do aeroporto. A um ótimo custo/benefício, melhor do que alugar um carro por 5 dias, e com a facilidade de ter um motorista à porta. Fechei com ele o percurso de ida e volta. Funcionou perfeitamente. Para passear pela cidadezinha de Porto de Galinhas, e por outras praias, é prático utilizar os serviços de aplicativos, ou  o serviço de shuttle, disponível nos hotéis. Fiquei por 5 noites no Hotel Vivá, um 5 estrelas, na praia de Ipojuca, um verdadeiro paraíso. Contratei o pacote com o jantar incluído.  www.vivaportodegalinhas.com.br, fiz a reserva pela hoteis.com

Hotel Vivá Porto de Galinhas


A estrutura, decoração e restaurantes, do hotel, já valem a viagem. Não precisaria ter as múltiplas atrações que Porto de Galinhas oferece. Para quem quer uma semana de descanso e relaxamento, é o ideal.
A decoração é um show à parte. Tudo de muito bom gosto, de artistas de Pernambuco.


A extensa, e tranquila, praia de Ipojuca, fica próxima a outras mais agitadas. Mas é possível conhecê-las caminhando, pela própria praia, ou contratar um dos passeios de bugre pela região. Preferi caminhar. Fui primeiro até a praia do Cupe, onde é possível mergulhar, ou usar snorkel à beira mar, e nadar ao lado de lindos cardumes ornamentais. Praia de Maracaípe, onde a estrutura é para quem quer ficar lagarteando, com bares e boa infraestrutura. 
São kms de praias virgens. Vale muito a pena sair cedo, munidos de chapéu e muito protetor solar, e caminhar até onde a vista não alcança, ao doce som do mar e das árvores balançando, preguiçosamente, com a brisa marítima.

Praia do Cupe

O almoço foi no restaurante à beira da piscina do hotel. Seguindo a sugestão do maitre, pedi um peixe típico da região, o Cioba, na brasa, recheado com farofa de camarões. Peixe tenro, de carne branca e suculenta. Muito bom. Após o almoço, um bom momento para descansar, nos recamiers, de frente para o mar. Nada mais relaxante.

Peixe Cioba, preparado à moda pernambucana


À tarde, fui conhecer a charmosa vila da cidade. Oportunidade para comprar o caprichado artesanato local e experimentar os sorvetes das frutas típicas do Nordeste. Além de admirar o pôr do sol, na Praia da Vila, em frente à Praça das Piscinas Naturais, com a bucólica paisagem dos barcos pesqueiros repousando, à espera de um novo dia de trabalho. 

Praia da Vila

Segundo dia, fui até a Praia de Carneiros. Contratei o passeio no meu hotel, mas há várias agências na vila de Porto que fazem o mesmo roteiro. Uma van, ou um ônibus, saem de manhã e levam os turistas a Carneiros,  60 kms distante de Porto. Praia de águas cristalinas, totalmente  preservada, com poucos, mas grandes quiosques, que fazem o receptivo, e onde é possível almoçar e bebericar. No meu caso, o passeio de barco, em Carneiros,  já estava incluído. Vale pela bela vista que se tem das praias, de dentro do mar.


Uma importante dica. No ato da compra de seu pacote, pergunte como será a logística do passeio que você está contratando. Há muitos "micos" que podem ser evitados. As agências da vila, costumam fazer esse roteiro em ônibus de viagem, de 54 lugares. São mais baratos, mas páram em diversos hotéis. Isso pode levar quase duas horas, antes do ônibus seguir para o seu destino.  Se você estiver em hotel de categoria 4 ou 5 estrelas, terá a oportunidade de fazer esse roteiro em uma van, com poucos passageiros, geralmente, do mesmo hotel. É mais caro, mas no final das contas, o custo/benefício vale muito mais a pena.
Em carneiros, aproveite para caminhar pela exuberante natureza da orla, fazer fotos na  Capela de São Benedito, e esbalde-se no mar calmo, quente e cristalino. O passeio de barco, se não estivesse incluído, sinceramente, não o teria feito. Não acrescenta nada. O banho de lama é um mico, não traz benefício algum e ainda deixa um odor horrível na sua pele. Como já sabia disso, não entrei nessa. Só aproveitei, a distância da orla, para fotografar a linda paisagem.

Carneiros

Carneiros

Capela de São Benedito, Carneiros



Terceiro dia: Praia de Muro Alto. Fui com um motorista de aplicativo. Eles são letárgicos, até por viverem em um local de muito calor. A dica é definir, com muita clareza, onde o motorista deve pegá-lo. Da Praia de Ipojuca, até Muro Alto são apenas 8 kms. Chega-se rapidinho. Há vários quiosques na praia, para os preços praticados, deveriam ser muito mais confortáveis. Enfim, estava ali para aproveitar a praia. Estou sendo bem sincero neste post, porque achei os quiosques extremamente ruins. Guardas sol velhos e mofados, cadeira caindo aos pedaços, mas o preço é de quem está sentando em um serviço de primeira linha. Portanto, escolha aquele que você achar mais ajeitado. Vale pela praia, que é bem bonita.


Em contradição aos "mixos quiosques", Muro Alto é praia das belas mansões, à beira mar. Muitos condomínios de luxo dividem a extensa faixa de areia. Caminhando pela orla, é possível admirar as sofisticadas construções.


Ao sair da praia, a ducha, que o quiosque proporciona, também é paga. Eles fornecem fichas, que tem duração de um minuto. É preciso algumas delas, para tirar a água salgada e areia do corpo. Negocie com o garçom quando escolher o quiosque de sua preferência, e antes de fazer os pedidos. Se você não estiver de carro, e depender de motorista de aplicativo, leve uma troca de roupa para vestir quando sair da praia, é bem chato estar molhado quando o carro chegar. Além do fato que muitos perguntam, no ato da chamada, se você está em traje de banho. Não costumam aceitar a corrida. Acho que estão corretos.
O último dia em Porto, aproveitei a, ótima, estrutura do hotel, e fiquei à beira da piscina, bebericando e petiscando, no melhor estilo "dolce far niente".






Antes de me despedir de Porto de Galinhas, após o último jantar, um passeio, à noite, pelo Hotel Vivá, revela uma criativa iluminação, e mais do sofisticado artesanato regional.



Recife

No dia seguinte, nosso motorista, Diego, estava no horário agendado, para a volta à cidade do Recife. Reservei o, bem localizado, Hotel Radisson, em frente a Praia de Boa Viagem, próximo ao Shopping RioMAr e a bons restaurantes. 

Radisson Recife, Praia de Boa Viagem

Fiquei impressionado com a beleza da cidade do Recife. Orla bem cuidada, centro revitalizado, feiras de artesanato espalhadas ao longo dos calçadões. E muitos restaurantes de primeira linha, de cozinha regional e internacional, que valem a pena serem conferidos. Comecei pelo marco zero da cidade, onde, além da recuperada área do porto,  há várias opções de bares, lanchonetes e restaurantes, e um centro do fino artesanato pernambucano.

Marco Zero,  Recife

Centro de artesanato, Recife

Um brinde à bela cidade do Recife.

Pier do Recife, várias opções de restaurantes

Infelizmente, a Praia de Boa Viagem, a maior da orla  da cidade, não é recomendada para banho. Além dos inúmeros ataques de tubarões, ali registrados, muitos trechos cheiram a esgoto. Mas há alguns pontos balneáveis, para entrar no mar sem medo. É o caso do  trecho onde está localizado o Quiosque do Pezão, muito bem recomendado pelos sites de viagem e até pela recepção do hotel.

Orla da Praia de Boa VIagem, Recife

Como já havia aproveitado a minha cota de mar, nas melhores praias do Estado, em Porto de Galinhas, decidi  dedicar o dia para visitar melhor  a cidade. Fui a um dos Shoppings, o RioMar Recife, onde as lojas de marcas regionais são muito interessantes e criativas. Principalmente as de arte, estas impressionam.

Loja de artesanato, Shopping RioMAr Recife


Para quem  deseja fazer uma imersão em arte, a dica é ir até ao Engenho São João, no bairro da Várzea,  a cerca de 30 minutos do centro do Recife, e visitar a espetacular galeria/atelier Oficina Brennand. Uma centena de peças, do renomado artista pernambucano, Francisco Brennand, espalham-se por uma área de 15 km². Reconhecido, mundialmente, por seu trabalho em cerâmica, seu gigantesco acervo  está em exposição permanente. 




O parque das esculturas de Brennand, é onde ele nasceu, e viveu junto com os seus pais, no início do século passado. Em sua biografia, Brennad considerava a cerâmica um tipo de arte menor. Por este motivo, no início de sua carreira, dedicou-se à pintura a óleo. Em sua primeira temporada na Europa, no ano de 1948, visitou uma exposição com obras, em cerâmica, de Pablo Picasso. Foi aí que descobriu que muitos artistas, da Escola de Paris, também haviam passado pela cerâmica. Entre eles, nomes como os de Marc Chagall, Henri Matisse, Paul Gauguin e Joan Miró. Inspirado pelos grandes mestres, ele retorna ao Brasil, em 1952, após ter apurado sua técnica, em cerâmica, nas escolas especializadas na Itália.




Reserve o período da manhã para sua visita, será mais prático.  O lugar é grande e há muito a conhecer. Há obras a céu aberto, um galpão recheado de peças, jardins ornamentados. Enfim, vá com tempo, e se gostar do tema, à  saída, desfrute, do charmoso,  mix de cafeteria e loja,  com obras à venda. oficinabrennad.org.br

Muralha 

A Vênus de Brennand

Sua versão de Adão e Eva

O artista faleceu, no último dia 19 de dezembro de 2019, aos 92 anos. Deixa um legado, em seu traço inconfundível, para várias gerações. 

Francisco Brennand

À noite, segui algumas recomendações, e fui jantar no restaurante "Bargaço", tradicional cozinha 5 estrelas do Recife. Optei pela lagosta recheada. Excelente dica, ambiente agradável, serviço de primeira, com um cardápio bem diverso, à base de frutos do mar.

Lagosta recheada, Bargaço Recife


Olinda

Olinda é sinônimo de festa e alegria. É aprazível subir suas íngremes ladeiras e admirar os casarões antigos, pintados em cores vivas. Alguns foram transformados em atrativos restaurantes, hotéis e bares. Cenário propício para  um tempinho de descanso, entrar em um destes bares, aproveitar a vista, e tomar uma cerveja gelada. Bom demais.






Não deixe de visitar a  Vila do Artesanato. Um antigo casarão, de mil metros quadrados, que abriga uma coleção especial, e criativa, desse segmento. Algumas das peças, são assinadas, por artistas renomados do artesanato pernambucano. 


Na mesma calçada, um pouco mais à frente, está  A Casa dos Bonecos Gigantes de Olinda, os mesmos que fazem, todos os anos, a alegria do carnaval da cidade do frevo. Bem interessante. bonecosgigantesdeolinda.com.br


De volta ao Recife, fui a Casa de Cultura. Se você gosta de linho, algodão, renda, bordados, este é o lugar. Funciona na antiga Casa de Detenção do Recife, que chegou a ser a maior cadeia do Brasil, no século XIX. A ideia, de transformar a cadeia em um centro de artes, foi de Francisco Brennand, e o projeto de recuperação, e aproveitamento dos espaços, da arquiteta italiana Lina Bo Bardi, a mesma que projetou o Museu de Arte de São Paulo, o MASP. O novo formato foi inaugurado em 1976.





Para ilustrar, como era antes de virar Casa de Cultura, foi mantido, tal e qual no original, a cela de número 106. Diz a lenda que, ao longo da história, nesta cela, ficaram encarcerados muitos dos presos políticos,  que aqui eram torturados. cultura.pe.org.br








Prepare-se: A partir de São Paulo, em vôo direto, são duas horas e meia até a cidade do Recife. Se pretende fazer o mesmo roteiro que o meu, escolha chegar cedo à capital pernambucana. Tudo é passível de imprevistos. A estrada até Porto de Galinhas é bem tranquila durante o dia. Mas não me arriscaria à noite, neste percurso. Como relatei acima, o serviço de transfer de Recife à Porto é muito prático e dispensa toda a burocracia da locação de um carro. Há muitas opções deste tipo de serviço, como a do mytransfer.com.br 
Em Porto de Galinhas, há uma grande diversidade de hotéis, para todos os bolsos. Programe-se, compare tarifas, às vezes pagar um pouco mais caro, em uma hospedagem de qualidade, acaba valendo muito a pena. Tanto em Porto de Galinhas, como em Recife e Olinda, os serviços de aplicativos funcionam muito bem. Os percursos são próximos, paga-se muito barato. Exceto o trajeto até a Oficina Francisco Brennand, foi o  mais caro. Mesmo assim, ida e volta , tendo a Praia de Boa Viagem como referência, o custo foi de 60,00 reais, em Março de 2019. Este foi meu roteiro de uma semana em Pernambuco. Mas há muito mais a conhecer. Se sua intenção é visitar outras praias, e centros de artes, sugiro reservar dez dias, ou mais, para que seu roteiro possa comportar tudo que incluir.



 Próximo post, Chile, cidade de Santiago.

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