Brasil: Bahia, Salvador

Fé, Cores e Sabores da Bahia

Não há  exagero em afirmar que todas as cores e sabores do Brasil passam primeiro pela Bahia. Terra de gente muito animada, gastronomia exótica e irresistível, de boa música e ritmos contagiantes. Enfim, uma terra de festas. Estar em Salvador é sempre um prazer. Revisitar o pelourinho, divertir-se com a alegria do povo baiano, aproveitar os restaurantes típicos e, claro, fazer compras. Na região histórica os happenings se acumulam a todo instante. É facil, por exemplo, sair de uma loja e, do nada, aparece a Banda Didá, movimentando o pelourinho, com todo seu talento. 

Banda Didá

Formada somente por mulheres, o som ritmado da banda, com todo seu gingado, vai reunindo uma pequena multidão, pelas ruas do centro histórico. A eterna animação, que o povo baiano carrega nas veias.

A festa no Pelourinho se estende até para dentro das igrejas. A missa, na Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, reúne o candomblé e o catolicismo, compartilhando o mesmo espaço. Adorei  presenciar essa união de fé. Afinal, nosso Deus é um só. 


No pelourinho,  está uma das igrejas mais bonitas do Brasil, a de São Francisco. Nas duas últimas vezes em que estive na cidade, ela estava fechada para reformas. Desta vez, apesar das reformas ainda não terem acabado, estava aberta a visitação. A maior representante do estilo Barroco da Bahia, foi construída entre os séculos XVII e XVIII, no coração da cidade. 

Igreja de São Francisco, Largo do Cruzeiro

São Francisco

Além da luxuosa pintura, em ouro, a igreja, e o claustro, trazem 55 mil azulejos portugueses, em painéis decorativos. Por esta razão, é considerada pelo Iphan, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, uma das sete maravilhas portuguesas no mundo.





As festas religiosas são um dos maiores atrativos de Salvador, principalmente as do Candomblé. Mas foi o catolicismo o protagonista da vez, no final do ano passado, e com louvor. Eu estava na cidade na data em que Irmã Dulce foi declarada Santa. Em solenidade, direta do Vaticano, no dia 13 de outubro de 2019, o Papa Francisco declarou Irmã Dulce a primeira santa brasileira. A Bahia parou, em reverência ao ícone Irmã "Dulce dos Pobres."  Foi emocionante estar ali naquele exato momento, e poder compartilhar, com seus conterrâneos, o sentimento de gratidão e reconhecimento, pelo qual sua memória será eternamente lembrada. Não a da santa, mas a do ser humano, que exalava amor pelo próximo, por onde passava, aquela que levava alimentos para os famintos e cura para os doentes.  Irmã Dulce dos Pobres, como ficou conhecida, agora tem uma data, onde a  Bahia, e o Brasil, irão parar para reverenciá-la, todos os anos.

Santa Irmã Dulce

Aproveitei para conhecer parte de sua obra, e o museu em sua homenagem. Desde muito cedo, aos 13 anos de idade, ela acolhia pessoas pobres e doentes e as levava para a casa dos seus pais. Seu pai era dentista, e a ajudava como podia. Tão menina, Já demonstrava  inclinação para a vida religiosa. Em 1933, aos 19 anos,  entrou para a Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, no Estado de Sergipe. Em 1934,  Maria Rita de Souza Brito Lopes, seu nome de batismo, fez os votos e recebeu o nome de Irmã Dulce. 

Irmã Dulce
 
Ao voltar a Salvador, continuou seu árduo trabalho, ajudando aos pobres e aos necessitados. Ela levava seus doentes para onde fosse possível tratá-los. Quando suas opções já não eram suficientes,  ela passou a  ocupar um galinheiro, ao lado do convento Santo Antônio, em Salvador. Ali conseguiu alojar setenta enfêrmos. E, ali seria o começo de uma grande obra.

Local original do Galinheiro de Irmã Dulce

A partir de doações, e do trabalho incansável de Irmã Dulce, o galinheiro virou um posto de saúde. Hoje é o maior, e o mais e bem equipado hospital das regiões Norte e Nordeste. O enorme empenho, e prestígio, de Irmã Dulce permitiu que ela  deixasse esse legado ao povo baiano. Junto ao hospital, o museu guarda os seus poucos pertences, como sua veste religiosa, fotos de encontros ilustres e muitas doações em homenagens, e agradecimentos, à Santa. Preservados também, estão os móveis do seu quarto e o acordeon, que gostava de tocar e trazer alegria a seus doentes. A foto que mais chama a atenção é do Papa João Paulo II, em sua cabeceira. Em sua segunda visita ao Brasil, o Pontífice quebrou o protocolo e foi visitar Irmã Dulce, que se encontrava muito doente, com dificuldade para respirar. Ela faleceu cinco meses após este encontro. Se quiser saber mais sobre a obra de Irmã Dulce, e sobre o museu,  visite o site www.irmadulce.org.br e assista ao filme “Irmã Dulce”, de Vicente Amorim. A atriz Regina Braga,  no papel título, pelo qual ganhou o prêmio de melhor atriz no Festival do Grande Cinema Brasileiro.

H
O encontro com Madre Tereza de Calcutá

O abraço igual para todos

O hábito e seu quarto, preservados no museu

O segundo encontro com João Paulo II


Regina Braga é Irmã Dulce

Não muito longe dali, fui conferir a renovada igreja do N. Senhor do Bonfim, e amarrar minha fitinha de devoção. Ritual obrigatório para quem vai a Salvador. Proteção nunca é demais. 





A Bahia é famosa por sua fé, sua gente, sua geografia privilegiada e, principalmente, por seus temperos e condimentos. E não há lugar melhor, para garimpar as iguarias baianas, do que a Feira de São Joaquim. São bancas com vários tipos de pimentas, farinhas, folhas, ervas, camarão sêco e toda sorte de ingredientes que procurar. Para quem gosta de cozinhar, vale a experiência. 


Pimentas 

Até uma cesta de quiabos tem o seu charme

Folhas e ervas curativas

"Muitos" tipos de farinhas

E ainda sobra um  tempinho para sentar, de frente para o mar, com amigos, e tomar uma cerveja gelada, e provar um prato, à base  de carne de sol aperitivo, num dos bares da feira. Que delícia!!!!

Fazia alguns anos que não ia a Salvador. Aproveitei para visitar outra novidade da cidade, a Casa de Jorge Amado e Zélia Gattai, no bairro do Rio Vermelho. Uma viagem para dentro da intimidade, onde o casal viveu por mais de 40 anos.




Foi da escritora, e mulher de Jorge Amado, Zélia Gattai, a ideia de transformar a própria casa em memorial. Um local onde, os milhares de fãs da obra literária do casal, pudessem conhecer um pouco mais da intimidade dos dois. Hoje, mantido pela prefeitura de Salvador





Ao todo, são 20 ambientes abertos ao público, entre salas, quarto, cozinha e biblioteca. Claro que foram feitas adaptações para casa tornar-se pública. Como a estilosa cozinha, os painéis de vidro protegendo os livros. Mas sua essência está lá, até as camisas floridas, que Jorge Amado tanto gostava, estão preservadas. Na lojinha, no final do tour, pode-se comprar réplicas das camisas,  livros, azulejos com frases de seus livros, camisetas entre outras lembranças. 


A casa guarda muitas histórias de seus baianos mais ilustres. Guarda as imagens dos orixás, presença marcante em seus romances, muitos presentes de admiradores ilustres pelo mundo. Jorge Amado era um baiano famoso internacionalmente. Seus livros venderam mais 20 milhões de exemplares. Viraram filmes, novelas, minisséries e peças de teatro. Zélia também teve sua obra transformada em minissérie. "Anarquistas Graças a Deus", foi um grande sucesso. Se estiver na Bahia, visite a Casa do Rio Vermelho. Imperdível. www.casadoriovermelho.com.br

Jorge Amado

Entre as novidades gastronômicas de Salvador, a "Casa de Tereza", da premiada chef Tereza Paim, é um ótimo programa. Um dos itens que fazem do restaurante um sucesso, é que são de sua fazenda, no sertão baiano, o cultivo de muitos dos ingredientes que entram em seu cardápio. Menu caprichado, decoração típica, espaço para exposições de artes. Adorei o lugar. E a comida estava de pedir bis. www.terezapaim.com.br




Entradas de Carne de Sol

Mezzanino, espaço para exposições

Uma visita a Salvador não estará completa sem uma esticadinha até o Mercado Modelo. Lugar ideal para comprar lembranças, saborear petiscos, tomando um chopp, no restaurante avarandado no segundo andar, em frente a bela Bahia de todos os Santos. Oportunidade para lindas fotos.





Um, dos muitos itens, do artesanato, no Mercado Modelo
 
Próximo a Salvador há refúgios encantadores, como a Praia do Forte. Apenas 60 kms distante da capital baiana, é um local aprazível para um período de descanso, destino frequente dos próprios baianos. Fui no meio de semana, onde o agito não é tão grande. Mesmo assim, o fluxo de turistas era bastante intenso. Aconselho reservar hospedagem com antecedência. 

Praia do Forte

Igreja de São Francisco de Assis



Além do principal atrativo, a praia, que é linda, a pequena vila da Praia do Forte concentra lojas de roupas, restaurantes, bares, enfileirados em um enorme calçadão, onde é proibido o tráfego de veículos.


Há uma variedade enorme de hotéis e pousadas, muito charmosas, espalhadas pela cidade. Eu escolhi a Pousada João do Sol. Local acolhedor, confortável e próximo a praia. No site oficial, mais dicas e informações de hotéis e pousadas  www.praiadoforte.org.br

Pousada João do Sol

Caprichado Café da Manhã

Passamos somente  uma noite na Praia do Forte. O suficiente para um gostoso dia de praia, uma noite agradável na cidade, acordar sem pressa, tomar o delicioso, e completo, café da manhã da pousada e voltar a Salvador.
Depois de uma semana fantástica, escolhi a agitada Praia da Barra, antes de me despedir, com dor no coração, de Salvador. Era um domingo de muito calor. Fiquei impressionado com o número de pessoas circulando na faixa de areia e no no calçadão. O marcante cheiro de dendê, toma conta do ar. A porção de mini acarajés é a preferida dos frequentadores, sejam baianos ou turistas. 


Praia da Barra

Eterna Simpatia Baiana



Prepara-se: Fiquei surpreso em ver como a cidade de Salvador está gostosa . Praias e ruas muito limpas, obras de infra-estrutura, sendo realizadas por todos os bairros. Até parapeitos em aço escovado foram instalados, pela prefeitura, na longa orla. Centro histórico lotado de turistas, fazendo o motor da economia  girar. Escolhi o Vila Galé Ondina para minha hospedagem em Salvador. Hotel próximo a todos principais pontos a serem visitados, café da manhã espetacular, quartos de frente para o mar, amplos e confortáveis. Fica a dica. www.vilagale.com

Vista das suítes, Vila Galé Ondina

O serviço de Uber, na cidade, funciona muito bem. É bem barato se locomover, no perímetro urbano, com o serviço de aplicativo. Por isso, não aconselho alugar carro para andar pela cidade. Se for viajar por perto, aí sim a locação de um carro é uma boa opção. A locadora de autos, Localiza, está a um km do Vila Galé. Achei as tarifas de locação, e seguros, bem justas. Foi onde aluguei o carro para ir à Praia do Forte. Processo prático e rápido. O aeroporto é longe, dependendo do horário do seu vôo, o trânsito pode ser um problema. Previna-se.

Na self de despedida, o baiano entrou na foto. E porque não?


Próximo post, Cidades Históricas de Minas Gerais, de Diamantina à Tiradentes

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