Portugal, Porto

Porto é destas cidades que você conhece e não quer mais ir embora.  Cheguei em um final de tarde, fui direto até  o bairro da Ribeira, às margens do Rio Douro. Coloquei o carro em um estacionamento público, todo automatizado. Aliás, os estacionamentos públicos, em Portugal, são  tabelados, e baratos, 0,80 centavos de euro a hora. Porto foi eleito,  em 2017, o melhor destino turístico da Europa, por turistas de todo o mundo. O vídeo é comemorativo a esta conquista. Vale a pena conferir.

Além do povo cortês, a beleza dos recantos turísticos impressiona. No agradável bairro da Ribeira, caminha-se a beira do Rio Douro, o segundo maior rio da península Ibérica. Ele nasce ao norte da Espanha, e percorre 850 kms, até chegar a sua foz, em Porto. Na Ribeira,  onde há muitos restaurantes avarandados, pode-de apreciar a vista, saboreando uma caneca de chopp ou uma taça de vinho,  das muitas vinícolas do outro lado do rio, na Vila Nova de Gaia. E só atravessar a majestosa ponte caminhando, ou de carro,  ou de teleférico. Programe, pelo menos, quatro dias no Porto. Dependendo do seu ritmo de viagem, será pouco. Da Ribeira, tem-se a linda vista da Ponte Dom Luis I, ligando Porto a Vila Nova de Gaia. A ponte, metálica, tem duas linhas de acesso. Por cima, há a travessia de uma linha de metrô; Por baixo, um caminho para pedestres e carros. Foi construída entre 1881 e 1886, pelo belga Téphile Seyring, que já havia trabalhado com Gustave Eiffel, o arquiteto da famosa torre em Paris. Uma obra de três mil toneladas.


Ponte Luis I, Cartão Postal da Cidade do Porto





 Passeio Turístico em Porto

Final de tarde, os turistas lotam os muitos restaurantes. Chegam por todos os cantos. Inclusive dos muitos passeios pelo Douro. As primeiras impressões não poderiam ter sido melhores. 

                                

Para o jantar, havia pesquisado alguns restaurantes no centro histórico, e optei pelo Hard Club. Reunidos em um só lugar um restaurante, casa noturna e casa de shows. O prédio, um antigo depósito, foi revitalizado e totalmente aproveitado. Somente pela estrutura arquitetônica  já valeria a visita. O restaurante, com cardápio à base de carnes, pedi Sirloin Steak, que estava ótimo.


Hard Club







(foto divulgação)


A parte histórica de Porto, reúne prédios singulares. A começar pela "Livraria Lello", famosa por sua emblemática escadaria, que teria inspirado a cenografia dos filmes "Harry" Potter. É considerada uma das livrarias mais bonitas do mundo. Paga-se 4 euros o ticket para visitá-la. 








Ao lado da livraria, a imponente "Torre dos Clérigos" chama a atenção. É um dos monumentos mais antigos da cidade do Porto, de autoria do conceituado arquiteto italiano Nicolau Nasoni. A torre, com seis andares e 75 metros de altura, foi a mais alta construção de Portugal, à sua época, em 1754. Junto a torre, na "Igreja dos Clérigos", vale observar a coloração dos mámores de seus adornos, muito incomuns e raros. Apesar da importância, a Torre dos Clérigos só foi reconhecida como Monumento Nacional em 1910.



Torre dos Clérigos


Igreja dos Clérigos
                                           
Logo ao lado da igreja, uma pausa, para uma divertida visita "Ao Mundo Fantástico Das Conservas Portuguesas", uma loja sofisticada, que vende  latas de sardinhas. Com um  toque retrô, você pode escolher a lata de sardinha de vários anos. Inclusive o do seu nascimento. Uma brincadeira divertida, vale a visita.





Nestas redondezas, há muitos lugares bucólicos. O melhor fica por conta da "Leitaria da Quinta do Paço". Trata-se de uma casa centenária, especializada em éclair. Eu também achei que fosse uma receita francesa. Mas não, é portuguesa, e é do Porto, desde 1960. Em 2012, a Leiteria registrou o éclair, clássico, de chocolate ao leite, com recheio de chantili, como "O Doce do Porto". Hoje, são vendidos, por dia, duas mil éclairs. Se for a Porto, tem que experimentar. Ao provar,  fica explicado o sucesso, é deliciosa.


Caminhar é a melhor forma de se conhecer qualquer cidade. Uma tão especial, como esta, deve-se admirar as construções históricas, alguma cobertas com os azulejos portugueses que, por si só, já valem a pena. A livre arte, representada em pinturas modernas, pelos prédios do bairro da cidade antiga, é outra atração. Nada a dizer, só a contemplar.
















Tenho amigos que moram em Portugal. Primeiro em Lisboa, depois transferidos para o Porto. Esses amigos adoravam viver em Lisboa. Cidade cosmopolita, com excelente qualidade de vida. Próxima tanto ao mar, quanto a montanha. Quando foram transferidos para o Porto, pela empresa, a princípio, não gostaram. Mas tiveram que se mudar. Fui visitá-los, quase um ano depois desta mudança. Eles estavam radiantes. Compraram uma casa, em Leça da Palmeira, a oito quilômetros do centro de Porto, a beira mar, com fachada histórica , e a reformaram. Em Portugal, quem compra um imóvel, como este, tem algumas obrigações e alguns benefícios. Não podem mudar a fachada do imóvel, pelo contrário, devem preservá-la e restaurá-la. Mas no interior, a criatividade  é livre. E por esse motivo, são isentos de pagar impostos prediais por cinco anos. Um grande incentivo aos que se aventuram. Na minha visita, já estavam instalados na casa nova e felizes. Uma histórica fachada, escondia uma casa com dois andares e vários  ambientes confortáveis. Uma delícia. Fomos a uma cafeteria, em frente ao mar.  Foi onde nos contaram todos os privilégios de se viver em Portugal. As crianças, eles têm dois filhos pequenos, tem escola, de primeira linha, gratuita. Mas, o que eles mais ressaltam, é viver com segurança, sem medo. 
Para coroar a visita, por uma feliz coincidência, havia uma festa medieval, acontecendo, a pouco mais de dois quilômetros da casa deles. Tendas com comidas típicas, bebidas e muita gente vestida à caráter, fizeram desta noite, inesquecível. Os portugueses amam cultuar sua história. E o fazem de forma  festiva e animada. 

Fim de Tarde em Leça da Palmeira










Terceiro dia em Porto, à noite, seria a grande Festa de São João. Aproveitei o dia para conhecer outros pontos turísticos. Como a Igreja de São Francisco, na avenida principal. Os franciscanos começaram sua construção em 1245, originalmente em estilo romano. Após um grande incêndio, que destruiu seu claustro, foi totalmente revitalizada em estilo gótico, A igreja conta com três naves, em tons dourados, foram usados mais de 300 quilos de ouro em pó. Em uma delas está a representação da árvore de Jessé, em madeira policromada, considerada, por especialistas, como uma das mais belas deste gênero. A escultura representa a genealogia do nascimento de Jesus, anunciada pelo profeta Isaías.


A Árvore de Jessé


Naves da Igreja de São Francisco

A poucos metros da igreja, descendo sentido a Ribeira, atravessei a Ponte Luís I, e fui a Vila Nova de Gaia. Inúmeras vinícolas podem ser visitadas. Eu escolhi a Casa Ferreira, do famoso vinho do Porto. Do outro lado do rio, a vista da cidade  é ainda mais bonita.






A visita à cave é, relativamente, rápida. Paga-se 15 euros, com a degustação dos vinhos incluída. Comprar o legítimo vinho do Porto, direto da fonte, é um privilégio.






Como era dia dos festejos de São João, resolvi atravessar a ponte de volta rapidamente, para esperar a queima de fogos à beira rio. Se preferir, há também o serviço de teleférico. Uma opção para fazer lindas fotos. Paga-se 6 euros  sentido único, ou 9 euros ida e volta.


É uma espera cansativa. A queima de fogos só acontece à meia noite. As pessoas vão chegando à Ribeira de todos os cantos da cidade, do país e do mundo. Perto do horário dos fogos, a multidão, estima-se um público de um milhão de pessoas, lota a Ribeira.
Mais uma vez, tudo muito organizado. Alimentos e bebidas, são tabelados e vendidos em quiosques espalhados pelo local. Não presenciei uma única desavença. Todos estavam ali com o único propósito: aproveitar o São João. Prepare-se para levar marteladinhas na cabeça. É a brincadeira local, com aqueles martelinhos de plástico, que usávamos nos carnavais da nossa infância. Se você estiver na faixa dos sessenta, como eu, com certeza, deve conhecer.









Demora a escurecer.  Era no final da primavera, quase início do verão europeu.
À meia noite, a grande queima de fogos, sincronizada com várias músicas, toma conta da extensão da Ribeira e da Ponte Luiz I. Um show. Esta data é tão importante para o portugueses, quanto o réveillon é para nós, quando as nossas praias ficam abarrotadas à espera dos fogos.

                    Vídeo cedido pelo Turismo de Porto
                                          
A espera vale a pena. Ao término do espetáculo, a multidão começa a deixar a Ribeira. Parece sincronizado,  tamanha é  a organização. Ao longo de toda cidade, festas regadas a muito chopp, vinho e sardinha. Fechei minha visita ao Porto, com vontade de me tornar um cidadão portuense.


 Prepare-se: Não há exagero em dizer que você vai se apaixonar pela cidade do Porto. Se escolher a época da Festa de São João, para sua viagem, reserve hotel com muita antecedência. A cidade fica lotada. Se não estiver de carro, opte por ficar hospedado onde você possa voltar caminhando da Ribeira. Após a festa, a cidade fica lotada de gente festejando. É quase impossível conseguir táxi, ônibus ou serviço de Uber, esqueça. Caminhe, e tenha muita paciência. Entre na brincadeira. Não perca a calma. Eles vão brincar a noite inteira. Eu só consegui sair da Ribeira por volta de 3 horas da madrugada. Deixei o carro no estacionamento da praça, aquele a que me referi no início deste post. Estacionei no fim da tarde, ao todo foram 9 horas, pelas quais paguei 8 euros. Adorei cada minuto. E voltaria.
Se você quiser saber mais informações, sobre datas e horários da festa, em 2023, veja no site: www.visitporto.travel





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