Portugal, Lisboa
A primeira vez que fui a Portugal, foi em 2001. Para ser bem sincero, não gostei muito, só adorei a gastronomia portuguesa, que já era excelente. As cidades tinham um ar de desleixo, eram sujas. Fiquei bem decepcionado. Em 2017, resolvi voltar. Havia lido muito sobre a, espantosa e rápida, recuperação do país. Foi uma opção certeira. Cheguei por Lisboa, num dia ensolarado, mas friozinho, meados do mês de junho. Fui para o hotel, preferi ficar próximo a avenida da Liberdade, que atravessa, praticamente, a cidade inteira. Depois de instalado e descansado, fui, caminhando, até a Praça do Comércio, passando pela Praça Dom Pedro IV, no Rossio, e pelo Convento do Carmo, obras revitalizadas. Para coroar o passeio, uma super organizada feira de antiguidades, ao longo de toda Avenida da Liberdade, itens para todos os bolsos, acontece no segundo final de semana, de cada mês, das 9 hs às 18 hs. Fujam da feira da Ladra, para quem gosta de mercado pulgas, é uma roubada.
| Praça D. Pedro IV |
| Feira dominical Antiguidades |
Foi com alegria que vi que a cidade estava linda, limpa e lotada de turistas. Parei em frente ao Elevador Santa Justa, para admirar a bela construção, em ferro, destacando-se na região central de Lisboa, há mais de 100 anos, ligando a cidade baixa à cidade alta.
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| Elevador Santa Justa |
Segunda parada, a Casa Portuguesa do Pastel do Bacalhau, endereço concorrido, à Rua Augusta, 106, para experimentar os deliciosos bolinhos de bacalhau, recheados com o cremoso queijo da Serra da Estrela, de comer de joelhos. Saciado, segui em direção à Praça do Comércio. Repleta de restaurantes avarandados, com elegantes ombrelones, é um marco turístico obrigatório.
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| Praça do Comércio (divulgação Turismo Lisboa) |
Rodeada por edifícios históricos, que já serviram de residência aos reis de Portugal, por dois séculos, hoje abrigam várias empresas, secretarias governamentais, atividades culturais e até hotéis. Além de estar ao lado do Rio Tejo, a praça, ornamentada pelo belo Arco da Rua Augusta, é uma das maiores da Europa, com 36 mil metros quadrados. Ao centro, a estátua equestre de São José I, de 1775, obra do principal escultor português, Joaquim Machado de Castro.
Registro histórico feito, seguimos à beira do Rio Tejo, maior rio da Europa ocidental, que passou por um longo período de despoluição. Foram investidos 800 milhões de euros nesta operação, que terminou em 2012. Hoje, o Tejo é balneável e recebe milhares de turistas, alguns desinibídos, juntam-se aos portugueses, usando a beira rio para um preguiçoso banho de sol.
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| Monumento Padrão dos Descobrimentos, às Margens do Tejo |
Um pouco mais à frente, um novo centro de alimentação desperta a curiosidade, e a fome, de quem passa por ali, O Time Out Market. Uma bela ideia, reunindo muitos bares e restaurantes, e até um mercado de alimentos, em um mesmo espaço. Foi em 2014 que, a revista Time Out, arrematou o Mercado da Ribeira, e instalou ali os melhores restaurantes listados em suas páginas, por seus críticos gastronômicos. Com preços reduzidos e uma reforma charmosa e moderna, transformou o lugar em parada obrigatória para, pelo menos, uma rápida refeição. Eu optei pelo saboroso sanduíche, ou "prego", é assim no português castiço, de porco. Recomendo.
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| Time Out, Antigo Mercado da Ribeira |
| Pastéis de Belém |
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Depois de tantas gostosuras, visitar os pontos históricos, pela redondeza do bairro de Belém, ajuda a digerir os exageros cometidos pelo caminho. Ali estão o Mosteiro dos Jerônimos, o Padrão dos Descobrimentos, e a Torre de Belém e o Museu Nacional dos Coches(fiz um post sobre mais à frente). O Mosteiro, no estilo manuelino, quem mandou construí-lo foi o Rei D. Manuel I, é o conjunto arquitetônico mais representativo de Portugal. Construído no século XVI, é reconhecido pela UNESCO, como patrimônio da humanidade.
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| Mosteiro dos Jerônimos |
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| Torre de Belém |
A Torre de Belém, outro ícone da arquitetura da era manuelina, é uma edificação que servia como proteção a Lisboa. Ponto estratégico de segurança.
Monumentos históricos revisitados, segui para o Chiado. Um delícia de lugar. Aproveitei o funicular, também chamado de Elevador da Glória, que sai da Praça dos restauradores e sobe até Rua Pedro de Alcântara, no Bairro Alto. Além da experiência, serve para poupar as pernas das íngremes ladeiras desta parte de Lisboa. É no bairro alto onde estão algumas preciosidades, como o elétrico, de nº 28, que faz o circuito histórico da cidade alta, um dos mais concorridos. O melhor horário é na parte da manhã, menos filas. É um circuito curto, mas bem charmoso.
| Funicular Elevador da Glória |
Perca-se pelas ladeiras, entre nas lojas, cafés, restaurantes, joalherias, shoppings. Há opção para todos os bolsos. Percorri as renovadas ruas do Bairro Alto, revi a famosa escultura de Fernando Pessoa, no Café Brasileiro, todos querem uma foto sentado ao lado do escritor, e fui descobrindo o porquê a cidade de Lisboa foi eleita, por dois anos consecutivos, Capital Cultural da Europa.
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| Escultura de Fernando Pessoa |
Entre as novidades do Bairro Alto está o Palácio do Chiado. Uma grande idéia, reuniu empresários que investiram na reforma e restauração do Palácio do Marquês de Pombal, entre eles um descendente direto, Duarte Cardoso Pinto. Formado em design, reuniu-se a dois empresários do ramo da charcutaria, Gustavo e Antonio Duarte, e reconstruíram o palácio, transformando-o em um respeitável encontro de várias linhas gastronômicas. São cinco patamares, entre eles, um bar no terraço, restaurante japonês, piano bar e a tradicional cozinha portuguesa. Apesar dos ambientes serem magníficos, optei pela irresistível culinária portuguesa. Escolhi a posta de bacalhau, com batatas ao murro. palaciochiado.pt
| Palácio do Chiado |
Falando em gastronomia de primeira linha, no bairro alto também estão alguns dos restaurantes do chef José Avillez. O do bairro alto é bem concorrido, famoso pelos pratos à base de charcutaria.
Após um dia inspirador, percorrendo alguns dos principais bairros de Lisboa, estava exausto. Voltei para o hotel. No dia seguinte, 13 de junho, era dia de Santo Antônio, quando a cidade de Lisboa pára em reverência ao seu padroeiro. O santo é homenageado por desfiles e festas, por toda a cidade. Depois do santo, a estrela principal é a sardinha. Todos os restaurantes servem um único menú, a preços que variam entre 10 e 15 euros. Mas é assunto para o próximo post.
Prepara-se: Os portugueses são um povo gentil e acolhedor. Nunca peça algum tipo de informação sem antes cumprimentá-los com um cordial bom dia, boa tarde ou boa noite. Eles fazem questão. Pode até achar graça, mas não ria de expressões que, para nós, podem parecer estranhas, mas é o idioma castiço. Aprenda antes de passar vergonha. Eles são literais, uma pergunta óbvia, receberá uma resposta mais óbvia ainda. Um exemplo: em um sábado, fui a uma loja de peças em cerâmica, no Chiado, na Rua Anchieta, aliás excelente dica para quem gosta deste tipo trabalho, são peças elaboradas e bem produzidas, perguntei à vendedora se a loja fecharia no domingo, ela disse que não. Como queria ver as cerâmicas com mais calma, voltei no dia seguinte. A loja estava fechada!!! Voltei na segunda-feira e reclamei da informação errada. No que ela discordou prontamente: "o sr perguntou se a loja fecharia. Eu disse que não, uma vez que ela não abre, não tem como fechar". Entenderam??? São literais. A pergunta deveria ter sido: "a loja abre aos domingos?" Gracejos à parte, aproveite cada canto da cidade. Uma boa dica é fazer roteiros por bairros. Qualquer cidade grande, como Lisboa, é mais fácil de ser explorada se você selecionar seus itens de interesse por bairro. Isso agilizará seu tempo. Outra dica importante, compre um chip telefônico no aeroporto, são 10 euros e você fica conectado o tempo todo. Ótimo para quem vai viajar pelo país, ou para se achar na cidade. Eu utilizei o Google Maps, excelente serviço de GPS.
Próximo post, continuamos em Lisboa. Festa de Santo Antonio, o padroeiro de Lisboa










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