Jordânia, Petra

Quando decidi incluir Petra em meu roteiro ao Oriente Médio, pesquisando, descobri que a melhor forma seria ir por Eilat, ao sul de Israel, atravessando, a pé, a fronteira entre Israel e Jordânia, a única  que abre todos os dias da semana.  A melhor dica é deixar um carro do lado da fronteira de Israel, e alugar outro em Aqaba, já na Jordânia. Achei uma ótima opção, uma vez que estava de carro desde Jerusalém. Turistas são proibidos de atravessar a fronteira com carros com placa de Israel.  A fronteira em Eilat, fica a  12 quilômetros do centro. Levando em consideração o alto custo dos táxis, esta opção valeu a pena. Cheguei à fronteira às 10 horas. Tem um amplo estacionamento, gratuito e seguro. Passaportes em punho, saí de Israel e entrei na Jordânia, simples assim. Brasileiros precisam de visto para entrar na Jordânia. O valor do visto dependerá do número de dias que você pretende permanecer. Eu planejei duas noites, paguei 10 jods (moeda da Jordânia) que, por incrível que  pareça, tem a mesma cotação do dólar. 

Fronteira entre Israel e Jordânia

Visto de entrada em Israel

Na verdade, paguei mais pelo jod que pelo dólar,  em maio de 2019, quando fiz esta viagem. Será necessário apresentar o tíquete de entrada em Israel, que é personalizado com seus  dados e foto. Isto porquê alguns países árabes não aceitam cidadãos estrangeiros, que tenham visto de Israel no passaporte. Total absurdo, mas trata-se de um problema político.

Visto de entrada na Jordânia

Na fronteira com a Jordânia, ainda será necessário desembolsar 100 shekels, taxa para sair do país. Como voltaríamos para o Brasil, após visitar Petra, do aeroporto de Eilat, reservamos o dinheiro para passar a fronteira novamente, em shekels. Não aceitam cartão de crédito e nenhuma outra moeda. Por segurança, estava com todas as minhas vacinas em dia. Eles podem solicitar, principalmente, contra a febre amarela. Os oficiais da alfândega não são nada simpáticos, mas educados.
Burocracia resolvida, pegamos um táxi até a agência de carros, no centro de Aqaba. Foram 10 dólares, depois de negociar. Carro e gps em mãos, segui para a sonhada visita a Petra. São, aproximadamente, 130 quilômetros, pouco mais de duas horas. Estrada muito boa. Há controle de saída em Aqaba. Os policiais, revistaram o porta malas, o banco traseiro e pediram que eu saísse do carro. Todo este processo durou cinco minutos. Mas, confesso, é bem estranho. Os soldados não são muito gentis. 


Estrada Para Petra

 A gasolina é muito barata na Jordânia. Com três Jods chegamos a Wadi Musa, cidade onde fica o Parque Nacional de Petra. A estrada é tranquila, meio deserta e bem árida. Era uma segunda feira, talvez seja por isso que não havia muito movimento. Fiz alguns "stops" para aproveitar as belezas que foram aparecendo pelo caminho. Mirantes, com vistas magníficas, da região montanhosa e árida. Registrei muitos acampamentos de beduínos. Eles se instalam no meio do nada. 




Acampamento Beduíno, povo nômade

Claro, como todo país árabe, algumas lojas, apareceram no caminho, com o belo artesanato local, antiguidades e joias feitas de âmbar e turquesa. As peças decorativas, de cores vibrantes, são uma tentação. Mas não querIa gastar mais "jods", antes de visitar Petra. 





Fiz reserva, no espetacular Willage Resort Petra, em Wadi Musa, a dois quilômetros  da entrada do parque histórico. Quando pesquiso hotel, ainda mais nos países subdesenvolvidos, prefiro os mais estrelados, e com boa pontuação nos sites de busca, como booking.com ou hoteis.com. Afinal, um bom hotel também é parte importante de uma viagem. Um hotel ruim pode estragar a sua viagem.  Quando encontrei o Village Resort achei que era o lugar ideal para duas noites. Hotel com piscina aberta, outra fechada e aquecida, restaurante e loja de artesanato local. Foi uma grande escolha. Hotel histórico, era uma antiga fazenda de cultivo de azeitonas. A região é famosa pelo excelente azeite de oliva. Toda a propriedade tem mais de 500 anos. As suites são um charme. Amplas e confortáveis, e como "mimos", como água e frutas. 

Hotel Willage Resort




Todos os hóspedes são recebidos com um coquetel de boas-vindas. Funcionários educados e prestativos.
Como iria a Petra somente no dia seguinte, pela manhã, decidi explorar a cidadezinha de Wadi Musa. Peguei orientação com o recepcionista e fui. Quanto arrependimento!!. Não dá nem para chamar de cidade. Apesar de sediar uma das sete maravilhas do mundo, a cidade parece uma vila de periferia muito pobre. Um horror. Voltei correndo para o hotel, e aproveitei as piscinas. À noite, hora do jantar, fui para o aprazível restaurante. Cardápio recheado de pratos árabes. Um melhor que o outro. Para deixar a noite perfeita, preferi ficar no terraço, iluminado à luz de velas. Muito lindo.








Após uma excelente noite de sono, e do maravilhoso café da manhã, saí para o meu sonhado destino: Petra.
Eram apenas dois quilômetros até a entrada do Parque Nacional. Estacionamento gratuito na entrada. O  ingresso do parque é caro, 75 jods, ao dólar de maio de 2019, foram cerca de 400 reais. Mas vale cada centavo.
Há várias maneiras de se conhecer Petra. Pode-se caminhar, minha opção, porquê gosto de tranquilidade para fazer fotos e admirar a visita.  Ou ir de charrete. Confesso que a volta eu optei por esse transporte.



Charretes no "estacionamento"

O parque mantém uma série de monumentos, tombados pelo patrimônio histórico mundial e, para chegar até a escultura mais famosa, "O Grande Tesouro, ou Al-Khazneh",  é preciso caminhar por  formações rochosas, de extraordinárias dimensões, chamadas de "Siq", são  dois quilômetros.

O espetacular Siq






Conhecida como "Cidade Rosa", pela tonalidade  das rochas, a data de sua construção não é estabelecida ao certo. Segundo dados arqueológicos, os registros são do início  no século III a.C. Era um importante eixo comercial. Caravanas de seda, incenso,  e especiarias ligavam a China e a Índia à Grécia, Roma, Egito e Síria. Árabes nômades, os nabateus, literalmente esculpiram a cidade de Petra, em uma mistura das arquiteturas greco-romana e oriental. Dois terremotos a isolaram, e  ficou  esquecida por séculos. Ao passar dos anos, somente os beduínos sabiam como chegar até ela. Foi em 1812 que, o explorador suíço, Johann Ludwig Burckhardt,  pesquisador da cultura muçulmana, fez-se passar por beduíno e conseguiu chegar a Petra.  Uma das 7 Maravilhas do mundo, decretado pela UNESCO, Petra é hoje um impressionante conjunto arquitetônico e arqueológico, visitado por povos de todo o mundo.  Os nabateus esculpiram, o Al-Khazneh, em um único bloco de rocha, como tumba para o seu rei.
Terminado o Siq, a primeira fenda, onde  se vê o delinear dos traços do Grande Tesouro, é tão emocionante quanto vê-lo por inteiro. Começa a descortinar-se o " Al -Khazneh". É de tirar o fôlego.



Mais alguns passos à frente, e lá está ele, imponente, gigantesco e maravilhoso. 


O Grande Tesouro, ou Al Khazneh 

Cada detalhe tem sua representatividade. Para uma leitura específica,  foram necessários muitos anos de pesquisa.




São quase 40 metros de altura, por 30 de largura, esculpidos em um único bloco de pedra.Conta a lenda, que havia um valioso tesouro escondido,  atrás da escultura central, no topo. 



Os desenhos, esculpidos, de pergaminhos, entre asas aladas,  simbolizam  a realeza. Outro símblo identificado, apesar da erosão do tempo e dos buracos de balas,  marcas da segunda guerra mundial, são os guerreiros, com machado sobre suas cabeças. Tudo indica rituais fúnebres, concedidos somente à realeza. 



A suntuosidade de mais de três mil anos de história. O Grande Tesouro, é só o começo. O parque todo tem 234 mil metros quadrados, localizado na cidade de Wadi Musa, e abriga outras preciosidades. Mas, a bem da verdade, depois que se avista o Al-Khazneh, nada mais impressiona. Mas vale conhecer o restante do parque, por sua importância histórica mundial. Algumas cavernas preservadas, mostram tumbas do povo nabateu. Além de um teatro de arena e tumbas menores. 

Os dromedários, a serviço do turismo

Túmulo Nabateu mais "simplório"



Há uma outra versão, não oficial, que o Al-Khazneh é uma construção romana, que foi construída com fachada helenística, reconhecido pelos pilares à sua entrada, durante o reinado de Aretas IV, vice rei da Arábia, para servir como seu prórpio mausóleu.

Teatro de Arena



 Inúmeros beduínos mostram seus talentos

Tumbas do povo Nabateu


Performances ao longo do Parque

Ao longo do caminho, muitos ambulantes, vendendo objetos de arte local. Vale uma paradinha para conhecer e comprar seu souvenir de Petra. 







A visita termina no Mosteiro. Medindo 47 metros de largura e 48 de altura, depois de passar por muitas ruínas, do que teria sido a cidade de Petra.
Uma viagem maravilhosa. Turistas do mundo inteiro aventuram-se a conhecer o parque. Não é para os fracos. O calor castiga. Haja água para aguentar. Mas vale muito a pena.
Antes de ir, visite o site oficial: visitpetra.jo 


       Mosteiro


Prepare-se: Ir a Israel e a Jordânia é muito mais que uma simples viagem. É um aprendizado que vale por uma dúzia de livros. Terminei minha viagem com chave de ouro. Foi um mês de surpresas diárias. Superou todas as expectativas. Estou habituado a ter comportamento de viajante. Gosto de entrar na cultura do país, experimentar sua culinária, viver o seu dia a dia. Israel e Jordânia são destinos únicos. 
Se você  tiver receio de alugar um carro, e se aventurar, como eu fiz, melhor contratar uma empresa de turismo. Claro que será muito mais prático. Mas, com certeza, menos aventureiro. Mas cada um deve seguir seus instintos, sem medo de ser feliz. São destinos caros, não deixe de verificar tarifas e valores de tudo que estiver interessado em conhecer.
Se estiver por conta prórpia, reserve hotéis, shows, carro com antecedência. Não deixe para última hora. São destinos muito concorridos. Isto exige uma programação bem feita. Leia muito. Cartão de crédito é bem aceito em Israel, mas não na Jordânia. Não trocam nenhuma moeda estrangeira. Faça a conversão nas casas de câmbio. Sempre tenha shekels ou jods à mão. Pode ser um transtorno caso não os tenha.
De Aqaba, voltei para Eilat, para pegar um voo para Tel Aviv, são 40 minutos, e a conexão de volta ao Brasil. 



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