Cisjordânia - Belém
Eu reservei meu quarto dia, em Jerusalém, para ir a Belém, dentro da Cisjordânia que, junto com a Faixa de Gaza, formam a região da Palestina. A Cisjordânia, que tem como capital Jerusalém Oriental, é administrada pela Autoridade Palestina, de predominância muçulmana. Composta por três zonas distintas, A,B e C., controladas militarmente pelo exército de Israel. A Cisjordânia é um dos territórios mais disputados do Oriente Médio. É bem confuso de se entender. Mas, uma experiência, e tanto, passar por essa fronteira tão disputada.
Para tanto, preparei-me, ainda no Brasil, lendo tudo sobre o tema. São, somente, dez quilômetros de distância entre Jerusalém e Belém.
Como não é permitido a turistas entrarem de carro na Cisjordânia, fui a recepção do meu hotel, que me indicaram a rodoviária, situada a 200 metros. Fui até lá e verifiquei valores e horários. A passagem tem o custo de 7 Shekels (moeda israelense, o equivalente a 10 reais), e tem ônibus a cada meia hora. No dia anterior, eu entrei em uma agência de turismo, dentro da Cidade Antiga, e deram-me o valor de 70 dólares. Isso mesmo, o equivalente, hoje, a aproximadamente, 370,00 reais. Foi uma ótima opção falar com o recepcionista do hotel.
Comprei passagem para o ônibus das 9hs, muito confortável e com ar condicionado. O percurso, de dez quilômetros, bem pertinho, leva meia hora, no máximo. Vai depender se o ônibus for parado na fronteira, entre os dois territórios, ou não. Passaporte na mochila, água, uma calça leve de agasalho, por precaução, e fui. A Cisjordânia, assim como Israel, ocupa um fração do Oriente Médio, a oeste do continente asiático. Durante o percurso, já próximos à fronteira, é possível ver a extensão do muro, são 700 quilômetros, que separam os dois territórios. Tudo controlado por muitas câmeras.
 |
700 kms de muro
|
 |
Câmeras de Controle
|
Não fomos parados na fronteira. Entramos sem problemas. Aproximadamente, 500 metros, a frente, era o ponto final do ônibus, em Belém. Até a Igreja da Natividade, são 800 metros. Muitos taxistas ficam ali, tentando vender este percurso por 10 Shekels. Ou seja, mais caro do que o trajeto de Jerusalém até Belém.
Preferi caminhar e conhecer o comércio da cidade. E foi uma ótima opção. Durante o percurso passei por vários ambulantes e lojas, famosas pelo trabalho em joias e ouro.
 |
Comércio em Belém.
|
 |
Folhas de Uva, ingrediente principal dos famosos charutinhos
|
 |
Manger Street
|
 |
Joias em Ouro
|
Foi uma caminhada agradável até a entrada da Basílica da Natividade, uma das mais antigas em todo o mundo, onde a Virgem Maria deu à luz a Jesus. O local é considerado sagrado, tanto para o cristianismo, quanto para o islamismo e ortodoxos. Dentro da basílica, as três religiões estão representadas.
 |
Basílica da Natividade
|
 |
Entrada, Basílica da Natividade
|
A entrada é uma pequena porta, tive que abaixar-me para entrar. Já havia muita gente na fila. Muitos grupos de turistas. E a cena do guia dos grupos, guardando lugar na fila, enquanto seus clientes fazem turismo pela cidade, repete-se novamente. Estava um dia muito quente, e não houve problema em estar de bermuda. O calor, somado ao elevado número de turistas, dentro da basílica, a espera torna-se um pouco desagradável. Mas, estava onde Jesus nasceu. Lugar de oração, introspecção e paciência. Um tempo precioso para observar todos os detalhes, das religiões ali representadas.
 |
Fila para a Manjedoura
|

 |
Altar Ortodoxo
|
 |
Detalhe do Piso Original
|

A primeira construção, segundo registros históricos, data de 135 d.C., ordenada pelo Imperador Adriano. Ele mandou construir um templo pagão, em homenagem a Adónis, deus grego da beleza e do prazer. O intuito era apagar a memória de Jesus Cristo.
Em 326 d.C., Helena, mãe do Imperador Constantino, mandou demolir esse templo. Aqui cabe um parêntese, para resumir a história de Santa Helena ou Helena de Constantinopla. Apesar de ter sido mulher de Constâncio Cloro e mãe do imperador Constantino, ela nunca recebeu o título de imperatriz. Segundo relatos históricos, foi ela quem descobriu o local da crucificação de Jesus, e mandou erguer o Santo Sepúlcro. Em peregrinação pela palestina, descobriu o local de nascimento de Jesus. Helena e Constantino, tornaram-se Cristãos, depois dele ter vencido a batalha contra o exército Maxêncio. Constantino teve a visão de uma cruz brilhante, no céu, com os dizeres "Com Este Sinal Vencerás". O imperador romano mandou pintar a cruz nas bandeiras e nos estandartes de seu exército, e venceu a batalha. Com isso, Constantino ordenou o fim da perseguição contra os cristãos, através do documento "Edito de Milão", no ano de 313 d.C. O cristianismo passou a ter os mesmos direitos de outras religiões. Helena, fez questão de ser batizada e, ao longo de sua vida, dedicou-se a obras assistenciais e na construção de igrejas em lugares considerados sagrados. Anos mais tarde, o imperador Teodósio, fez do cristianismo a religião oficial do império romano. Os restos mortais de Santa Helena estão em um mausoléu, no Vaticano, na Itália.
 |
Santa Helena (fonte wikipedia)
|
E foi assim que, no lugar do templo pagão, Helena mandou construir a primeira igreja cristã em Belém, onde Jesus nasceu. Essa foi destruída por um incêndio,em função de uma rebelião entre judeus e samaritanos na Palestina, em meados do ano 500 d.C. Foi o imperador romano Justiniano I quem construiu a basílica da forma que a vemos hoje.
Conta a lenda que, no ano de 614 d.C., os persas, comandados por Corsões, invadiram Jerusalém e a Palestina, e tentaram destruir a basílica. Mas, o comandante do exército, já dentro da igreja, teve a visão dos três Reis Magos, vestindo roupas persas, e ordenou-lhe que a igreja fosse poupada da destruição.
O complexo religioso de Belém, ainda teve muitas adições em sua construção durante muitos séculos. Hoje somam doze mil metros quadrados.
 |
Afrescos Romanos Preservados
|
 |
Maria e Jesus, ouro e prata
|
Quando visitei a basílica, parte dela estava sendo recuperada. Muitos afrescos, da época romana, podem ser hoje admirados, graças às últimas descobertas.
A entrada da "caverna", onde está a manjedoura, é bem pequena. O que torna difícil o seu acesso. A medida que as centenas de pessoas são liberadas para entrar, acaba gerando um certo tumulto. As fileiras de grupos de turismo, mais uma vez eles, tentam expremer-se para conseguir passar a boca da caverna mais rapidamente. Um sofrimento desnecessário. Todos terão o seu momento na manjedoura, sem precisar de empurra, empurra. Esteja com o espírito preparado.
A caverna é pequena, mas é possível ficar ali por um tempinho, fazer orações. Conhecer o local exato do nascimento, a manjedoura, e onde os três Reis Magos depositaram seus presentes. Segundo o Evangelho de Mateus, " vindos do oriente para Jerusalém, os Reis Magos, Belchior, Baltasar e Gaspar, vieram para adorar o Rei dos Judeus. E três presentes lhe foram ofertados: ouro, incenso e mirra." Segundo os escritos, eles podem ter sido astrólogos-astrônomos, pois vieram a Belém seguindo a estrela guia. Símbolo do local do nascimento de Jesus.
 |
A Manjedoura
|
 |
Depositário dos Presentes dos Reis Magos
|
Uma imensa sensação de amor. É assim que consigo descrever este momento. Mais uma oração em agradecimento, pela possibilidade de estar em um dos lugares mais sagrados do cristianismo. Tocar no símbolo da estrela guia é um sentimento único.
À saída, é mais tranquila. Segui para pegar o ônibus, para voltar a Jerusalém. Na fronteira, desta vez fomos parados. Os muçulmanos tem que descer e apresentar um documento de identificação, e a razão para saírem da Cisjordânia, muitos trabalham no lado de Israel. Os turistas permanecem no ônibus, e devem apresentar seus passaportes.
 |
Fronteira entre Israel e Cisjordânia
|
Terminada a checagem, retornamos a Jerusalém. Fui visitar mais ruelas da Cidade Antiga. Comprar algumas lembranças.
Faltavam visitar dois pontos importantes, o túmulo do Rei Davi. E o local da última ceia de Jesus com os Apóstolos.
 |
Tumulo do Rei Davi
|
 |
Local da ùltima Ceia
|
O local da última ceia é um Cenáculo, em meio a uma grande sala, marcado por uma escultura de bronze, em forma de árvore. Apesar da importância histórica, e religiosa, não é uma visita marcante.
Prepare-se: Apesar de parecer arriscado, se você não estiver em uma excursão, vá de ônibus comum para Belém. Paga-se 7 Shekels cada trajeto. Com muito conforto. O final da linha é na rodoviária, em uma das entradas da Cidade Antiga. Na basílica não é necessário calças compridas para homens. Bermudas, até o joelhos, é a recomendação. Para as mulheres, saia ou bermudas até os joelhos, leve um lenço para cobrir a cabeça. Leve água. Não há lugar próximo. Para comprar garrafinha de água somente fora da basílica. Ao lado esquerdo, há uma máquina que vende água e refrigerantes. Por isso, é primordial ter dinheiro trocado. Não esqueça seu passaporte. Pessoas sem documentos podem ser barradas, e sua viagem pode acabar virando um transtorno. Eles não são muito amáveis. As lojas em Belém são mais caras que na cidade antiga. De resto, boa viagem.
Proximo Post: Mar Morto
Comentários
Postar um comentário