Israel, Jerusalém 3º dia

 Museu do Holocausto


Fora dos muros da cidade Antiga, Jerusalém é uma cidade moderna. Com restaurantes sofisticados, danceterias, lounges, shoppings. E um moderno, e eficaz, sistema de transporte público. Dirigir na cidade é impraticável. Taxistas são ladinos, cobram o valor que quiserem por uma corrida. Por isso, o valor tem que ser combinado antes. Não há taxímetro. Na verdade, foi o único ítem que me incomodou durante a viagem. Tenho repulsa a quem tenta tirar proveito de alguém desavisado. Em um país tão moderno, e que recebe mais de quatro milhões de turistas por ano, que gera uma receita de mais de um bilhão de dólares, deveriam rever a maneira de receber os visitantes. 
Enfim, vamos falar do que é bom. É possível circular por Jerusalém caminhando, de ônibus ou pelos monotrilhos, que alcançam boa parte da cidade. Em cada estação, há máquinas para você comprar, ou carregar seu cartão de passagem. 
Aos espertinhos, não tentem viajar sem pagar, há fiscais disfarçados em todos os trens. Eles podem solicitar seu bilhete a qualquer momento. Eles portam uma aparelho, que verifica se você passou, ou não, seu cartão no leitor digital durante aquela viagem. Fique atento. A multa é alta. Os fiscais, que me abordaram, eram dois homens jovens e não usavam uniformes. Verificaram o meu cartão e viram que eu precisaria carregá-lo, se quisesse voltar do meu destino. Um deles era argentino, falou comigo em espanhol, foi muito gentil. Desceu, junto comigo na minha estação de destino, e mostrou como eu deveria carregar o bilhete. Ao passar o cartão, no cobrador digital do trem, você pode viajar pela próxima hora, fazendo quantas paradas quiser, sem ter pagar nada a mais por isso. 


Monotrilho e os táxis para um passageiro

Aproveitei a deixa do amigo portenho, e desci em alguns pontos para conhecer melhor a cidade. Fui a um mercado, o Mahane Yehuda, famoso pelos restaurantes despojados e pelas muitas barracas de frutas e itens tradicionais da região. Muito interessante. 





Visitei uma loja de antiguidades, um mini shopping. Satisfeito, segui para o meu destino: O  espetacular, Yad Vashem, Museu do Holocausto. Fui até a última parada do monotrilho. De lá, para quem não quer percorrer os 800 metros até o museu, a pé, atravessando a rua, há um serviço de van, gratuito, com ar condicionado, a cada meia hora. Em cinco minutos, chega-se ao museu. Como todo local de turismo intenso, em Israel, há detector de metais e fiscalização de bolsas e mochilas. As maiores devem ser deixadas no guarda volumes, no andar inferior, à entrada do museu. Assim como a maior parte dos pontos históricos do país,  a visita  é gratuita. 


Jerusalém, Museu do Holocausto



Não são permitido fotos, mas, os muitos fiscais que tomam conta do local, fazem vista grossa para os " infratores". 
O museu é colossal. Ocupa uma área de 20 hectares, no meio de uma floresta. É o maior museu, em todo o mundo, que conta a história do genocídio judeu. Desde o início do nazismo, no ano de 1930, até o seu declínio, e derrota, em 1945. Para quem não está com um guia, ou fones guias, que você pode alugar na entrada do museu, em seu idioma patrio, é só seguir as linhas indicativas, para não perder a cronologia da visita. Logo à entrada, uma grande tela triangular, que exibe cenas dos campos de concentração, durante a segunda guerra mundial. O  arrojado e moderno projeto arquitetônico, assinado pelo renomado Moshe Safdie, de certa forma, remete-nos a sensação de confinamento.

Vídeo ilustrativo, em tela não convencional

Há muita informação detalhada, em toda exposição. Muitos vídeos, com imagens reais, dos campos de concentração, com depoimentos de sobreviventes. Os requintes de crueldade, pelos quais aquelas pessoas passaram, são relatados, por eles,  de maneira calma e serena. A impressão é que estão falando de outras pessoas, e não deles mesmos.
 Repulsa, tristeza, emoção, incredulidade e comoção.  Isso foi o que senti, ao caminhar pela exposição. Roupas, malas, joias, pilhas de sapatos, entre outros itens pessoais, de quem passou pelos campos de concentração, durante a segunda guerra mundial. 

Livros, os que não foram queimados


As insígnias de identificação 


Jóias



Pilhas de sapatos

Há um grande mapa, que mostra a quantidade, aproximada, dos judeus mortos em cada país da Europa. A Polônia foi um dos que mais matou. Apesar do número oficial ser de seis milhões de mortos, este quadro apresenta uma quantia muito superior, de vidas ceifadas, pelo nazismo de Adolf Hitler.
Chama a atenção um vagão de trem, com os trilhos originais, da época da guerra, que transportava os judeus para o campo de concentração de Auschwitz, na Polônia. Foi o campo  mais cruel, e onde, o maior número de judeus, foram mortos por câmara de gás. Mais de  um milhão  foram assassinados em Auschwitz.


Vagões de Auschwitz

Trilhos originais

Muitos eram conduzidos, à câmara de gás, à chegada ao campo. Diziam-lhes que era um 
banho coletivo. Que deveriam tirar as roupas e entrar "na sala de banho". Muitas mulheres foram mortas ao lado das filhas. Aos homens, o tratamento era diferenciado. Eles eram a força de trabalho. Os saudáveis eram poupados. Os fracos e doentes eram os primeiros a serem executados. De lá, eram carregados para covas comunitárias. 

Reconstituição, em maquete,  da Câmara de Gás

Um das alas, reconstitui um dormitório,  em Auschwitz, com as beliches originais, roupas de prisioneiros e seus objetos pessoais.


Reconstituição do dormitório  em Auschwitz

Uniforme dos prisioneiros

Uma das funções do museu é divulgar,  principalmente para as novas gerações, o que foi o holocausto. Diariamente, encontram-se  centenas de crianças e adolescentes, guiados por seus professores. Ali aprendem, uma boa parte, da própria história. Eu testemunhei uma destas visitas.

Desde 1963, Yad Vashem procura reconhecer as pessoas que ajudaram a salvar milhares de judeus das mãos dos nazistas. Estas pessoas recebem o título de "Justo Entre As Nações", e seus nomes, mais de 40 mil descobertos até agora, são inscritos em paredes de pedra na floresta, onde esta o memorial.

À saída, uma grande cúpula, resgata fotos de parte das vítimas, desta terrível parte da história da humanidade. O museu  pesquisa pessoas desaparecidas até hoje. O que, a cada ano, aumenta o número de vítimas. A biblioteca do local, abriga cerca de 120 mil títulos, em 54 idiomas. À saída, um alento. A vista da floresta, e de  parte da cidade de Jerusalém, amenizam a sensação de confinamento, enaltecendo a sensação  de estar em liberdade.
Yad Vashem é visita obrigatória para quem está em Jerusalém

Cúpula à saída, homenagem às vítimas

Floresta à saída do museu

Monte das Oliveiras


Jesus na Pedra Agonia, afresco da Igreja

Continuando o tour em Jerusalém, fui ao Monte das Oliveiras, situado às margens da Cidade Antiga. As oliveiras cobriam todo o monte. Lugar em que Jesus pregou, por várias vezes, aos seus discípulos e seguidores. 

Monte das Oliveiras

Oliveira Mais Antiga, Dois Mil Anos

Monte das Oliveiras

E foi onde Jesus orou na noite anterior à sua crucificação. Naquela noite, Ele saiu para caminhar com seus discípulos. A certa altura, Jesus parou, em uma pedra, e orou: "Pai, se queres, passa de mim este cálice. Todavia, não se faça a minha vontade, mas a Tua".
A pedra em questão, está no Evangelho de Lucas 22.4.1"a um tiro de pedra, da gruta de Getsêmani, está localizada a pedra da agonia. Acredita-se que sobre esta pedra, Jesus fez a tão dolorosa oração, que chegou a fazê-lo suar gotas de sangue". Neste Exato local, descoberto pelas escavações do arqueólogo Luc Thonessen, foi construída a Igreja da Agonia. Preservando a pedra sagrada.

Fachada da Igreja da Agonia

Pedra da Agonia


Domo, Igreja da Agonia

Pedra  da Última Oração de Jesus

Monte Das Oliveiras e Igreja da Agonia

A Igreja da Agonia, foi projetada pelo arquiteto italiano Antonio Barluzzi, em 1924. E foi construída em cima das ruínas da capela bizantina, datada do século IV, destruída por um terremoto.
Do alto do monte, tem-se as mais belas vistas de Jerusalém: a Igreja de Todas as Nações, a Igreja de Maria Madalena, o Jardim de Getsêmani, a cúpula dourada da Mesquita de Omar, ou Domo da Rocha e um dos cemitérios judaicos mais antigos da cidade. 


Domo da Rocha



Cemitério Judeu


 
Igreja de Todas as Nações

Prepare-se: Jerusalém é uma cidade montanhosa. Se não estiver de carro, vá até o topo do Monte das Oliveiras, onde está a Igreja de Todas as Nações e o túmulo de Maria, e desça caminhando,  até chegar a Igreja da Agonia. A vista é impagável. Mas é uma ladeira muito íngreme. Em dias de muito calor, ou para pessoas idosas, é impraticável subí-la. Verifique os horários de visitação, para não correr risco de não conseguir entrar em alguma das atrações.
Se for utilizar transporte público, compre cartões antes de embarcar, tanto nos ônibus, como no monotrilho. Não há cobradores nos ônibus, e  motoristas não aceitam dinheiro.  Se preferir pegar um táxi, combine o valor antes. O combinado não sai caro.
Só há banheiro fora da Igreja da Agonia, e há uma pequena taxa para usá-lo, 0,50 centavos de Shekel. Tenha sempre algum dinheiro trocado em mãos. Dificilmente eles trocarão notas altas.  Israel é um país caro. No quesito de alimentação e bebida, é ainda pior. Uma cerveja, em lata, chega a custar  R$ 30,00 (referência é de maio/2019). Uma refeição, em um restaurante de pratos típicos, pode chegar a 100 reais por pessoa. Previna-se.
 

Próximo post, Basílica da Natividade, Cisjordânia. Uma experiência incrível.

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