Brasil- Guarujá, Hotel e Cassino La Plage
Grand Hotel e Cassino La Plage
Quando comecei a frequentar a cidade do Guarujá, litoral de São Paulo, nos anos de 1980, fiquei intrigado com a história de um dos maiores marcos da cidade, o Grande Hotel Guarujá.
Guarujá ou Ilha de Santo Amaro, pertencia a área territorial da cidade de Santos. Tendo apenas a extração de óleo de baleia, pesca e poucos engenhos de açúcar como atividades econômicas.
Com o passar do tempo, as pessoas que viviam dessa economia formaram um pequeno povoado. Até que em 1832, por um decreto imperial, Guarujá passou a condição de Vila.
Mais tarde, em 1891, um grupo de investidores encabeçados por Antônio Prado, Elias Antônio Pacheco e Chaves e Elias Fausto Pacheco Jordão, associaram-se e fundaram a Cia Balneária. Para tanto, compraram uma grande quantidade de terras, em frente ao mar, onde é hoje a praia de Pitangueiras.
Em 1893, de povoado, foi promovida a Vila Balneária de Guarujá. Para isso foram encomendados dos Estados Unidos uma igreja, 46 chalés residenciais desmontáveis, duas estações de trem, uma igreja, e o esperado hotel casino, que ainda contava, em seus dois pavimentos, com um mini zoológico, um restaurante e salão de baile, uma obra esplêndida . A inauguração foi feita pelo então governador de São Paulo Bernardino de Campos Jr, e a primeira missa pelo Bispo Arcoverde, no dia 02 de setembro de 1893. Os representantes das maiores fortunas de São Paulo estavam presentes, incluindo Campos Sales.
Um dos motores da economia à época, o Grand Hotel Cumpriu o seu papel por apenas quatro anos, quando um incêndio, de proporções nunca antes visto, transformou-o em cinzas.
A Cia Balneária, administradora do hotel, não mediu esforços para a reconstrução do complexo hoteleiro. Mais modesto que o anterior, mas muito maior. Toda a nata brasileira, autoridades e jornalistas estavam presentes em 08 de setembro de 1898 para a inauguração. O novo complexo funcionou por 10 anos. Quando O grupo Prado & Chaves resolveu vendê-lo.
Em 1911 o empresário Percival Farquhar, representante da cadeia norte americana Ritz-Carlton, compra o hotel, com um plano ambicioso de ali construir um novo hotel de luxo, para a burguesia da época. Para tanto, convida o renomado arquiteto brasileiro, Francisco Ramos de Azevedo.
Em 30 de abril de 1946, o presidente Eurico Gaspar Dutra proíbe o jogo no Brasil, com o argumento de que o “jogo era degradante para o ser humano”. Começou aí a lenta, mas inevitável, derrocada do Grand Hotel La Plage. Com a proibição do jogo, um dos maiores atrativos da cidade do Guarujá à época, os afortunados começaram a viajar a outros países para apostar suas fortunas.
Em 1960, o Grand Hotel foi vendido pela última vez, antes fosse tombado como patrimônio histórico. Em seu lugar, foram construídos vários prédios de apartamentos. Onde hoje está o calçadão Caminho do Mar. Uma história triste. Uma perda monumental. Um prédio de extremo requinte, que poderia ter continuado ali, tombado como patrimônio histórico da humanidade, e ainda ser uma grande atração turística, virou pó. Triste sina de um país que não preserva sua memória.
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