Marrocos, Fes

A viagem ao Marrocos foi surpreendente em muitos aspectos. A maioria, positivamente. Ao deixar o Deserto do Saara, seguimos nosso roteiro para a cidade de Fes, onde esta a medina mais labiríntica do Marrocos.
A estrada é surpreendente, repleta de paisagens áridas, que vão desenhando cenários deslumbrantes. Neste ponto, estamos no coração da Cordilheira do Médio Atlas



                             


A estrada, pelo Vale do Ziz, leva-nos passa pela Barragem Hassan II, passando pela grande floresta de cedros, chegando em Ifrane, considerada a Suiça Marroquina. Por mais estranho que possa parecer, chegamos a Ifrane com uma tempestade de neve. Sim caro leitor, neve. Estava bem frio. Então, recaptulemos, estávamos no Deserto do Saara, com aproximadamente 35º  de temperatura, chegamos a Ifrane com 2º graus. E uma paisagem invernal realmente linda. Muitos pinheiros, arquitetura totalemente diferenciada, casas e prédios com aparência de chalés, fundada pelos franceses na década de 1930. Para os praticantes, o esqui na neve é um dos esportes praticados em Ifrane. 


Ifrane











Pouco mais de 70 kms, descendo dos alpes marroquinos, chegamos a Fes, com temperatura agradável de 25ºC. 


Entrada Medina de Fes

A maior Medina do Marrocos. São nove mil ruas, um mix entre milhares de lojas, é onde está a famosa fábrica de curtumes, um Palácio Real e até uma universidade. Os aromas das muitas lojas de condimentos e temperos, misturam-se com as lojas de tapetes, com as criativas peças de cobre e bronze.

                                        

                                            



 Claro que você pode conhecer a Medina por conta própria, mas não aconselho. O melhor é você estar com um guia, confiável, que o leve as principais atrações do local. O meu guia, foi escalado pela Trilho Salama, agência de viagens pela qual viajei ao Marrocos (já falei sobre isso no post de Marrakesh, www.trilhosalama.com.br). Começamos visitando a fábrica de cerâmica, são verdadeiras obras de arte,  totalmente artesanal, famosa mundialmente, pelo design e pelas cores vibrantes. E também é uma escola de formação de novos artesãos. A arte da cerâmica esmaltada foi criada no século XI. 

                            

Um espetáculo assistir as mãos hábeis dos artesãos, transformando a argila em lindas peças da cultura marroquina. Fabricam desde um simples porta temperos, até grandes fontes. Um trabalho minucioso, de extrema paciência, transformando cacos de pedras coloridas em obras inigualáveis.  

Ao final da visita, é possível comprar algumas peças, vale sempre a pechincha, básico do comércio no Marrocos. Você pode comprar desde um vaso, até uma fonte, eles  remetem ao seu país. Tem que combinar nos mínimos detalhes e colocar na nota fiscal. Seguindo pelas ruas da medina, entramos em muitas lojas de souvenirs,  arte em vidro, luminárias. São de enlouquecer, principalmente para quem tem uma queda a compras, como eu. Uma das peças que mais me chamou a atenção foi um vaso feito a partir de ossos de camelo. A lapidação é perfeita. Aliás, carne de camelo é uma iguaria à mesa dos marroquinos. Mas somente em casamentos ou grandes festas, e somente para os afortunados, já que é um animal muito caro. Na verdade a fortuna dos marroquinos é comparada  a quantidade de camelos, e hectares de tamareiras, que a pessoa possui. Por isso, não é uma iguaria a ser degustada comumente.


Vaso de Osso de Camelo

                                             





                                   





Fonte Patchwork, Medina de Fes

As lojas de tapetes, todos confeccionados à mão, geralmente, são tecidos por mulheres, ou por famílias inteiras. Há tapetes que levam um ano, ou mais, para serem confeccionados, por uma única artesã, por isso são caros. Os desenhos, e cores, dos tapetes, determinam a origem da família que o teceu.  Há de todas os tamanhos, cores, desenhos e modelos. Os  de origem berbere, povo do deserto, em numa tradução mais compacta,  são milenares, e também os mais baratos.  Os tecidos à base de lã, são os mais caros. Se optar por comprar, cuidado, há muitas imitações de menor valor, é preciso estar numa loja confiável. No Marrocos, os variados estilos de tapetes, são o espelho da cultura do país.






Outra atração da Medina de Fes é o cortume. Uma centena de tanques podem ser visitados, a partir do terraço da loja que vende produtos em couro de todos os tipos. O cheiro não é agradável, por esse motivo o visitante recebe um ramo de hortelã para disfarçar o desagradável aroma. Ao final da visita, na loja do curtume, há farta variedade de itens à base de couro, as famosas babuchas, sapatos, bolsas, cintos e, até mesmo,  malas de viagem. O local já serviu de set para novelas e filmes.






                                  


É chocante ver a quantidade de peles de animais a espera de tingimento. Mas há um alento, o marroquino aproveita tudo do animal  abatido, o que representa  empregos a milhares de famílias que vivem deste ofício.
Fes não tem somente a medina como atração. A cidade é moderna, com shoppings, cinemas, grandes avenidas a jardinadas. Como estávamos um pouco cansados de pratos típicos, pedimos ao Mohammed que nos levasse ao shopping, onde havia uma grande praça de alimentação. Escolhemos um ótimo hambúrguer, com muita batata frita, e saciamos nossa fome de comida "normal".








Marcos Maritan


Prepare-se: Conversando com  nosso guia e motorista, Mohammed, vivenciamos um pouco além do lado turístico do país. Apesar de ser um país pobre, os marroquinos são felizes, adoram futebol, nenhuma criança fica fora da escola, é uma obrigação familiar. Ninguém fica sem comida à mesa.  Se um vizinho estiver sem trabalho e sem recursos, os vizinhos que estiverem trabalhando dividem a comida entre eles, especialmente durante o ramadã . Adoram o Rei Mohammed VI, acham justo toda a riqueza que o rei possui. O reverenciam com lealdade. 



Mohammed, nosso guia alto astral

Nota do Editor: Ao programar sua viagem atente-se as datas religiosas. Durante o ramadã, que ocorre geralmente, durante o mês de maio, o comércio fecha durante o dia, os restaurantes são limitados, não pode-se fumar nas ruas e os marroquinos ficam bastante alterados. Facilmente, presencia-se brigas em meio as ruas, em virtude do jejum obrigatório.

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