Marrocos, Deserto do Saara


Terminado nossos dias em Marrakesh, fui ao encontro do meu guia e motorista, Mohammed. Um cara simpático, falante, super alto astral, que vai continuar meu roteiro de viagem, através das montanhas do Alto Atlas,  trajeto por uma esplêndida cordilheira, até o Deserto do Saara. 

No caminho, algumas curiosidades vão aparecendo. Primeira parada, visitamos uma produção artesanal do famoso óleo de Argan, excelente para deixar cabelos e corpo hidratados e macios.


                   Extração do Óleo de Argan

                                           

                                            

Segunda curiosidade, rápida parada num parque cenográfico, onde os grandes estúdios de Hollywood o utilizam como set para vários filmes, pelo baixo custo e pelas paisagens áridas, é o Ait-Ben-Haddou.

  Vários filmes conhecidos foram rodados nestas locações, entre eles o antigo Lawrence da Arábia (1962, com Peter O’Toole), A Múmia (1999, com Brendan Fraser) e Gladiador (2000, com Russel Crowe). Você pode visitar os sets de filmagem e há também um museu do cinema, onde ficam expostas peças que foram usadas nos principais filmes. 


Art Studio Cinema



                                   

Seguindo viagem pela estrada dos mil Kasbahs, assim são chamadas as construções, irregulares, pelas montanhas, ainda em Quarzazate, avista-se a impressionante plantação de tâmaras. Conhecida com o palmeiral de Skoura, é uma das maiores  do país. Uma visão majestosa.

Tamareiras


Ainda na estrada, em direção ao Alto Atlas, mais uma curiosidade, a interessante extração do óleo de rosas. Trata-se da maior produção do produto no país. A qualidade de rosa cultivada é a damascena. Elas são fartas na região, e proporcionam alto faturamento, e amplo mercado de trabalho. O mais curioso é o processo artesanal, que ainda é cultivado na lojas da cidade. Habitualmente, os marroquinos adquirem guirlandas, em formato de coração, e as colocam no interior do carro, pendurada no para-brisas, para perfumar o carro, brega? Claro, mas é cultural. Confesso que não gostei, o perfume é enjoativo. 


Extração Artesanal do Óleo de Rosas

Estamos nos aproximando das formações rochosas no Alto Atlas, Garganta de Dades e de Todra. São uma série de desfiladeiros, através do rio Dades, que desenham as montanhas, com cenas de tirar o fôlego. São enormes formações rochosas, entremeadas por  um riacho de águas cristalinas.


Mais à frente, outra parada: Garganta de Todra. Outras formações rochosas que desenham o infinito. Visão única.



A partir deste ponto, entramos  em uma estrada desértica, que nos levará ao majestoso Deserto do Saara. 
Pernoitamos em Boulmanes Dades, no magnífico cinco estrêlas "La Kasbahs de Dades". Onde também foi nosso jantar, buffet de pratos típicos.


                              


                            

                                          
                        

                        


                           

Em uma construção típica da região, em pedras, ricamente decorado, vale a pena explorar, sem pressa, cada canto desse hotel, observando os detalhes, as peças de arte e artesanato, lustres e esculturas. Enfim, um castelo de emoções, que mais parece um museu de arte típica.

Após um lauto café da manhã, voltamos para a estrada, rumo ao Deserto do Saara. Confesso que é um dos locais que frequentavam, com assiduidade, meu imaginário. Ao chegar à entrada do Saara, o coração bate mais forte ao ver os beduínos, e os muitos camelos, à espera dos turistas. Deserto do Saara é conhecido por ser o mais quente do mundo. Oficialmente, é o terceiro da terra, logo após a Antártica, e o Ártico, que também são consideradas áreas desérticas. Sua área tem, aproximadamente,  nove milhões de metros quadrados.


Nosso pacote incluía uma noite no deserto. Para tanto, estavam incluídos o traslado até o acampamento,  pernoite em barraca, categoria luxo, jantar e café da manhã. E o traslado de volta à cidade. O caminho até o acampamento já é uma aventura.

                                   

Beduinos na travessia do Saara

O deserto tem bancos de areia, que se movimentam com o vento constante da região. Só os beduínos treinados conseguem levar turistas aos acampamentos, são vários e com diferentes categorias de estrelas. Minha reserva era para um cinco estrelas. O trajeto, em cima do lombo de um camelo, leva cerca de duas horas. Como estava ávido pela chegada, e tenho amor pela minha coluna, preferi  um veículo 4x4, o que encurta a distância para trinta minutos. Mas não tira a emoção. O sobe e desce das dunas é ritmado, mas não previsível. O que gera uma certa euforia inesperada. 

 

À chegada, realmente revela um luxo surpreendente. Em meio as barracas, muitos tapetes persas evitam que os turistas tenham contato com a areia, enquanto estiverem  na área das barracas. Somos recebidos com  com um serviço de chá, delicioso. 



                                

                                  


Antes do jantar, fui explorar as montanhas arenosas, de cor dourada, leve, areia que escorre pelos dedos das mãos como se fosse ouro derretido. No topo de uma delas, a imagem  do Saara é indescritível. O silêncio incomparável, a cor do céu entardecendo, a brisa suave e morna, completam este cenário de beleza ímpar. Na verdade, nos sentimos ínfimos em meio a grandiosidade da natureza.





                              

Ao cair da noite, voltei para a barraca extasiado. Depois de um banho relaxante, fomos jantar. Somos recebidos, na elegante  barraca restaurante, por músicos tocando vibrantes melodias árabes, vestidos à caráter. 



                              



                              



                                  






Um ambiente perfeito, à meia luz. Chegam às entradas, primeiro um caldo encorpado de legumes, prato principal optei, mais uma vez, por tajine, desta vez, de frango, uma delicia. Sobremesa, doces caramelizados.  

Para finalizar a noite, além da contemplação do silêncio pleno, fui brindado com um céu estrelado que eu nunca vira antes. Fui dormir extasiado. Sentindo-me um verdadeiro nômade Berbere, assim são chamados os homens livres e nobres ao norte da África. Berbere também  é um dialeto. Estima-se que há mais de 70 milhões de pessoas que ainda falam esse idioma na África e na Argélia.

De madrugada começou a ventar muito. Os sons das barracas balançando,  à força do vento, tornaram a experiência do Saara muito mais interessante. Nem todos têm o privilégio de presenciar uma tempestade de areia. Claro, fui olhar, para sentir o vento. Infeliz ideia, acabei tomando uma rajada de areia no rosto. Pelo menos tenho mais esta história para contar. 






                                        


Na manhã seguinte, depois de um café da manhã reforçado, somos levados de volta à cidade, onde nosso Mohammed está a nossa espera, para continuarmos nossa jornada. Nosso destino é "Fes".

 

Eu e Mohammed

 Prepare-se: Quando for programar sua viagem ao Marrocos, atentem para o período do Ramadã, quando os islâmicos jejuam, não fumam, em locais púbicos, e restaurantes fecham. É tudo mais complicado. Eles se sentem insultados, mesmo você sendo turista, se for pego infringindo alguma das normas do Ramadã, pode até ir preso. Cuidado!!!!

 


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